quinta-feira, 13 dezembro 2018
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Trégua em Wall Street

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O forte movimento de sell-off observado nas últimas semanas em Wall Street parece ter chegado ao fim nesta terça-feira. Os principais índices acionários subiram forte, mostrando contra ataque da força compradora num ponto técnico extremamente relevante.

A média móvel simples de 200 períodos diária, inicialmente perdida na semana passada, foi recuperada nesta terça-feira através de um candle de força relevante, caracterizando movimento clássico de bear trap.

Investidores/operadores que abriram venda com o rompimento descendente do S&P500 sobre a referida média móvel tiveram de estopar suas posições às pressas em função da forte reação da força compradora. Os touros haviam demonstrado intenção de defesa da média longa mais famosa e acompanhada pelo mercado já na última sexta-feira, interrompendo a forte sequência de queda de curto prazo, porém o contra ataque com ordens volumosas de compras surgiu apenas nesta terça-feira com um importante driver fundamentalista de momento.

Os balanços trimestrais das potências financeiras Goldman Sachs e Morgan Stanley vieram bem robustos, superando as expectativas dos analistas, criando, assim, o driver que faltava para disparada das ordens de compra.

O Goldman Sachs reportou lucro de 6,28 dólares por ação no 3 TRI/2018, bem acima da previsão de 5,38 dólares por ação, representando aumento de 20,5% em comparação com o resultado do mesmo período do ano anterior. O Morgan Stanley relatou lucro de 1,17 dólares por ação, também muito acima da expectativa dos analistas de 1,01 por ação, refletindo uma alta de 17% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Ambas as empresas estavam shorteadas na bolsa de Nova York. As ações do Goldman Sachs, que chegaram a ser negociadas aos 270 dólares em março deste ano, fecharam semana passada aos 210 dólares. Nesta terça-feira, os preços saltaram para 221 dólares, numa possível virada de mão. As ações do Morgan Stanley, que chegaram a ser negociadas aos 57 dólares em março deste ano, fecharam semana passada aos 42 dólares. Nesta terça-feira, os preços saltaram para 46 dólares, num movimento semelhante ao observado nos papéis do Goldman Sachs.

A reação das ações dos bancos de investimento mais tradicionais de Wall Street foi forte o suficiente para puxar (contaminar) todo o mercado para cima, numa virada bull rápida e forte, mantendo os índices acionários acima da importante média móvel simples de 200 períodos diária.

Este movimento não tem sido tão atípico. Desde junho de 2016, em todas as ocasiões que o S&P500 tombou para a média móvel simples de 200 períodos diária, houve forte reação da força compradora, mantendo o ciclo bullish. Desta vez, não foi diferente.

A sinalização de trégua em Wall Street empurrou várias outras praças financeiras mundiais para a ponta compradora. DAX, na Alemanha, subiu de 11.500 pontos para 11.776 nesta terça-feira. A bolsa de Paris, na França, subiu de 5.050 pontos na mínima de ontem para 5.173 no fechamento de hoje. No Japão, o Nikkei saiu de 22.250 pontos ontem para 22.550, também mostrando bear trap sobre a média móvel simples de 200 períodos diária.

Bombay, na Índia, que chegou a cair para 34.000 pontos na semana passada, fechou esta terça-feira aos 35.100. Na Rússia, após tocar 1.100 pontos na semana passada, a bolsa volta para os 1.165 pontos nesta terça-feira. México subiu de 200 para 206 pontos, parece pouco, mas não é (para um movimento de curto prazo). Até a bolsa de Istambul, na Turquia, se valorizou nos últimos dias (de 94.000 para 98.400 pontos).

No Brasil, o índice Bovespa interrompeu a sequência de correções observada nos últimos dias, formando piso ascendente aos 82.600 pontos, já sinalizando ataque sobre a resistência formada aos 87.300 pontos, por sinal, apenas 1.000 pontos abaixo da máxima histórica. Isso significa que se o Ibovespa recuperar 87.300 pontos, a resistência formada pelo topo histórico será fragilizada.

O mercado de câmbio e juros futuros está ainda mais eufórico do que o segmento de bolsa, já que os investidores e players locais começam incorporar nos preços da moeda e dos contratos de juros futuros (por sinal, altamente expostos à agenda econômica) um cenário não somente de vitória do candidato Bolsonaro no segundo turno, mas, também, detecção de espaço para uma agenda de reformas estruturantes avançar neste novo Congresso.

Iniciou carreira no mercado financeiro brasileiro em 2001 através do Banco BCN, onde desde então vem acompanhando e estudando o mercado nacional e internacional. Já publicou um livro voltado para o mercado de capitais e hoje trabalha como assessor de investimentos na JB3 Investimentos.

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Anônimo
Visitante
Anônimo

E as treasury's voltaram a puxar forte pra cima, muito embora o spread tenha parado de estreitar.

Mas não tem jeito, acho que enquanto não houver um sinal forte como a efetiva inversão das taxas de juros ou uma sinalização de alta do desemprego quem tentar ficar vendido nos EUA vai ter muito mais chance de perder do que ganhar.

Mure
Visitante

Bom dia, FI. Muito bom seu post.

Essa euforia nos juros futuros não está exagerada? Os juros para 2029 caíram de 13% para 10,5% em poucas semanas. Mesmo com o USD mais baixo e com expectativa boas com as reformas, acho que teremos bastante percalços até chegar nesse patamar de modo sustentável.

Pode explanar um pouco mais sobre esse ponto?