segunda-feira, 21 outubro 2019
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Com ausência de novas desgraças, Bebianno vira tempestade em copo d’água

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Ex Ministro Gustavo bebbiano
Gustavo Bebbiano, Ex ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência (Cristiano Mariz/VEJA)

Não teve rompimento de barragem, tempestade, nem incêndio em alojamento de clube de futebol nestes últimos dias/semanas. A passagem de janeiro para fevereiro foi assustadora para todos os brasileiros. Os desastres sem precedentes estavam ocorrendo em efeito dominó, com intensa cobertura da imprensa reportando a desgraça enfrentada por várias famílias das vítimas.

Felizmente recebemos uma trégua nestes últimos dias. Ninguém morreu soterrado, queimado ou afogado por alguma desgraça. O noticiário ficou obviamente menos carregado. Entretanto, a imprensa, empolgada com os picos de audiência proporcionados nesta virada de mês, precisava de algo para continuar roubando atenção do público.

Como as desgraças acabaram, ao mesmo tempo em que se iniciam os trabalhos do governo Bolsonaro, a imprensa parece ter aproveitado o GAP para fazer uma baita tempestade em copo d’água sobre o caso do agora ex-ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno.

Justamente na semana em que o pacote anticrime do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, e a reforma da Previdência, do ministro da Economia Paulo Guedes, serão apresentados ao Congresso e à população, dois temas, por sinal, extremamente relevantes ao nosso futuro (segurança e estabilidade fiscal), abre-se uma crise de governo com potencial de fragilizar a articulação para esses projetos tramitarem no Congresso.

Com todo espetáculo da imprensa, os brasileiros que buscam informações em jornais ou sites de notícias já estão mais do que cientes dos motivos que levaram a queda de Bebianno. Independente da culpabilidade, ex-ministro da Secretaria-Geral da Presidência foi o elemento escolhido para se criar uma tempestade em copo d’água, já que não tinha nada mais negativo/bombástico para ser oferecido na prateleira.

Fatos que envolvem recuperação ambiental, reconstruções de áreas destruídas, melhoria na segurança, educação e qualidade de vida de determinada região, entre outros eventos positivos, não são transmitidos por repórteres passando informações repetitivas ao vivo, apenas conseguem alguns minutos nas manchetes de TV ou poucos parágrafos num texto de um site de notícias.

A prova da desnecessária tempestade Bebianno está na nossa própria história. Desde a era Sarney, os primeiros meses de todos os governos foram marcados por quedas de ministros. Até mesmo os antigos ídolos da esquerda e direita brasileira (FHC e Lula) sofreram com quedas de ministros no início de suas respectivas gestões.

O tenente-brigadeiro-do-ar Mauro José Miranda Gandra caiu no governo FHC por suspeita de tráfico de influência na instalação do Sivam (Sistema de Vigilância da Amazônia). Logo na sequência, Júlio César Gomes dos Santos perdeu o cargo de chefe cerimonial do Planalto após divulgação de uma gravação no qual relatava amizade de longa data com um funcionário da Raytheon (empresa norte-americana escolhida para montar o Sivam). O presidente do Incra, Xico Graziano, também caiu por suspeita de estar por trás do vazamento da gravação.

O ministro da Ciência e Tecnologia Roberto Amaral caiu no governo Lula por conta de uma entrevista concedida à rede BBC, no qual Amaral, sem experiência no ramo, disse que o Brasil deveria investir num projeto de bomba atômica. Pouco depois, Lula demitiu por telefone o ministro da Educação Cristovam Buarque, sabe-se lá por que. A dança das cadeiras no governo Dilma e Temer foi intensa, ainda estão frescas na memória e dispensa comentários.

Era algo que já deveríamos estar acostumados há décadas, mas a primeira queda de um ministro do governo Bolsonaro soa como algo assustador ou fora do comum. Desde o processo de redemocratização do Brasil, ministros caem com algum empurrão dos jornais. Não poderia ser diferente no governo Bolsonaro.

Nada mais natural do que a queda de um ministro no Brasil. Faz parte da nossa história. Portanto, é inadequado e infeliz, neste momento importante de apresentação de reformas relevantes, concluir que uma crise institucional está sendo aberta no governo Bolsonaro. Temos crises acumuladas demais e deveríamos dispensar aquelas que poderiam estar sendo fabricadas. Ganhamos mais se concentrarmos o foco nas resoluções de pelo menos parte de nossa longa lista de problemas.

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