segunda-feira, 21 outubro 2019
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Era Roberto Campos Neto começa com o pé direito

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Roberto Campos Banco Central
Imagem: Yahoo Finanças

Há muito tempo não ocorria uma sabatina para presidente do Banco Central tão tranquila no Senado. Com pouco bate-boca entre senadores, o economista Roberto Campos Neto foi aprovado por unanimidade na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado.

Com a taxa Selic inalterada em 6,50% ao ano (mínima histórica) desde março do ano passado, inflação sob controle e sem risco de rompimento do centro da meta, elevado estoque de reservas internacionais (cerca de 380 bilhões de dólares) e baixa dívida externa (totalmente coberta pelas reservas), Campos Neto não teve dificuldade de conseguir 26 votos a favor de sua posse como presidente do Banco Central e nenhum voto contra.

Aproveitando-se da circunstância macro favorável para a política monetária, o novo presidente do Banco Central sinalizou para uma continuidade do bom trabalho desenvolvido pela gestão anterior de Ilan Goldfajn, ressaltando que a autoridade monetária deverá conduzir a política monetária com cautela, serenidade e perseverança.

Esses valores foram pregados pela gestão anterior e foram os grandes responsáveis pela recuperação da confiança perdida com os agentes na era Dilma/Tombini. Significam que o Banco Central não pretende tomar medidas bruscas, nem agir conforme mudanças de humor no mercado.

Em alguns momentos, a cautela, serenidade e perseverança foi necessária para manter a Selic mais elevada (ou atrasar os cortes desejados pelo mercado) como forma de transmitir uma mensagem dura sobre o combate à inflação. Em outros momentos, a cautela, serenidade e perseverança foi necessária para evitar aumentos precipitados da taxa Selic em função de eventos esporádicos ou de curtíssimo prazo.

Os acertos nas decisões de política monetária na era Goldjafn reconquistaram a credibilidade com os agentes financeiros, que se refletiu numa transição muito serene para a nova gestão Campos Neto aprovada hoje no Senado.

Com a circunstância macro favorável para manutenção da estratégia de política monetária, Campos Neto aproveitou seu primeiro discurso como presidente do Banco Central para defender o aumento da concorrência no sistema financeiro, confessando que a concentração bancária no Brasil ainda é muito alta.

O novo presidente do Banco Central acredita que as novas tecnologias serão fundamentais para aumentar a concorrência e reduzir o spread bancário. Em vários momentos, sinalizou intenção de estimular novas tecnologias no setor financeiro, como forma de intensificar a concorrência, movimento que, por sinal, já está em curso.

Prova disso são os próprios números levantados pelo Campos Neto. A rentabilidade dos bancos, que já foi maior do que 19%, caiu para 12% e agora oscila em torno de 15% segundo o novo presidente do Banco Central. Apesar do crescimento dos lucros dos bancos, o retorno sobre o capital empregado está longe do máximo registrado.

Atualmente, são mais de 300 fintechs no setor financeiro abocanhando partes de um mercado até então dominado pelos grandes bancos. Além das mordidas de market share das fintechs, os bancos estão sofrendo com o forte crescimento da XP Investimentos, instituição que pode se transformar num player de mercado e mudar toda a dinâmica do sistema financeiro nacional.

Para muitos especialistas, a XP Investimentos é considerada um maverick, o que no jargão corporativo significa empresa que apresenta postura agressiva com capacidade disruptiva em determinado mercado, ajudando a disciplinar preços, por exemplo. O Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) tomou muito cuidado para preservar a capacidade disruptiva da XP Investimentos ao aprovar a compra de parte do capital social pelo Banco Itaú.

O novo diretor de Organização do Sistema Financeiro do Banco Central, João Manoel Pinho de Mello, defendeu o nível de exigência maior para atos de concentração no sistema financeiro nacional e elogiou a postura da autoridade monetária no caso envolvendo o investimento do Banco Itaú na XP. O Banco Central foi mais duro do que o próprio Cade ao avaliar a operação, impedindo o banco de ficar com o controle da empresa até pelo menos 2026.

Mello afirmou que, “por um lado, o Banco Central permitiu um investimento que fortalece a XP, uma empresa inovadora que desafia instituições tradicionais no mercado de investimentos. De outro lado, impediu que o investidor tenha qualquer ingerência na administração e na gestão das operações da XP, garantindo que ela continue desafiando as instituições tradicionais. Quem ganha é a intermediação financeira, a produtividade e o consumidor.”

Termino este texto desejando sucesso à nova diretoria do Banco Central, enfática não somente na manutenção da boa estratégia de política monetária, mas também ao necessário aumento da concorrência, alinhado com o desejo de vários brasileiros.

Para finalizar, quero reforçar minha satisfação de estar fazendo parte desta revolução no mercado financeiro brasileiro através da JB3 Investimentos, escritório de assessoria de investimentos credenciado à XP Investimentos. Não tem recompensa melhor do que contribuir para o crescimento e evolução do investidor no mercado de capitais. Dia após dia, colecionamos vitórias ao colaborar para o futuro financeiro melhor para um número cada vez maior de investidores e famílias. Contem conosco e não hesite em nos procurar!

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Maria Helena
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Maria Helena

Com certeza Robson, você faz parte dessa revolução sim. Não só pela JB3, mas também pela qualidade dos seus textos, que acompanho desde 2011, quando comecei a me interessar por investimentos. Aliás, acho que os diversos espaços dedicados a esse tema na internet tiveram o seu papel nesse crescimento das fintechs. Eu também posso dizer que tenho participação nesse movimento por ser cliente da XP desde 2012. Um abraço e sucesso.