quinta-feira, 18 abril 2019
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Um mito de 14.000 pontos

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Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil.

Jair Messias Bolsonaro foi eleito presidente da República na noite de domingo do dia 28/10/2018. Na segunda-feira seguinte, o mercado acionário brasileiro abriu aos 86.000 pontos, subiu para 88.000 pontos rapidamente, porém encerrou o dia na lona, aos 84.000 pontos, acumulando dolorosos 4.000 pontos de queda desde a máxima do dia, pegando muitos investidores/operadores de surpresa.

A reviravolta negativa ocorrida no pregão seguinte após a vitória do mito nas eleições foi justificada pela imprevisibilidade da relação entre Executivo e Congresso. Entre outras palavras, os analistas explicaram que mercado azedou na coroação da vitória de Bolsonaro porque havia incerteza se os parlamentares iriam apoiar a agenda de reformas liberais do governo.

Passaram-se pouco mais de três meses e a incerteza na relação entre Executivo e Congresso continua a mesma. Entretanto, o Sr. Mercado não obedeceu os analistas e começou a subir mesmo com imprevisibilidade sobre a agenda de reformas. Não se sabe se haverá aceitação (cenário muito positivo), desidratação (cenário neutro) ou recusa (cenário catastrófico) das reformas que serão propostas nas duas Casas, especialmente a da previdência, considerado o primeiro grande teste do governo.

Os ganhos observados no índice Bovespa desde a vitória de Bolsonaro não são nada modestos. Não é caso de mercado cautelosamente otimista, ainda aguardando maiores desfechos no Congresso para montar posição. É um baita voto de confiança. Uma compra de expectativa positiva. Uma aposta de sucesso na agenda liberal.

O Ibovespa subiu 14.000 pontos desde o fechamento do primeiro dia de negócios após a vitória de Bolsonaro até o encerramento do pregão desta última quinta-feira. Isso não significa que o mercado está correto nem mesmo antecipando algum desfecho, até porque é impossível prever qualquer cenário neste momento (aceitação, desidratação ou recusa).

Tudo isso aconteceu em função do efeito mito. O mercado não somente acredita no potencial de articulação de Jair Bolsonaro para conseguir convencer o Congresso aprovar sua agenda de reformas, como literalmente aposta dinheiro num desfecho positivo. Se o mercado entender que fez uma aposta errada, o preço será cobrado futuramente, como de costume.

Esses 14.000 pontos mitológicos são nitidamente observados quando se compara o desempenho do Ibovespa versus ETF MSCI Emerging Markets (ETF de mercados emergentes mais famoso do mundo), conforme demonstrado na imagem abaixo.

A linha pontilhada demonstra a oscilação do Ibovespa, enquanto a linha preta revela o deslocamento do ETF MSCI Emerging Markets. O circulo azul no gráfico marca o momento da vitória de Bolsonaro no segundo turno das eleições presidenciais. A partir deste ponto, pode-se notar claramente um descolamento raro e positivo a favor do Ibovespa comparado ao ETF MSCI Emerging Markets.

Desde a temerosa era Dilma, o Ibovespa nunca esteve tão à frente do ETF MSCI Emerging Markets. Além disso, foram raros os momentos em que o Ibovespa conseguiu performar melhor do que o ETF MSCI Emerging Markets. Na verdade, era bastante comum, no passado, o ETF MSCI Emerging Markets bater o Ibovespa em várias janelas temporais. Ou seja, o descolamento atual também revela uma forte quebra de padrão histórico.

Apesar de pouco tempo de governo, Bolsonaro já fez história no mercado e mostrou por que é conhecido como mito.

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Paulo Miranda
Visitante
Paulo Miranda

Faltou comentar que o fluxo desse bull foi de investidor doméstico,a gringalhada está fora,acho essa informação relevante

Rafael
Visitante
Rafael

Robson, acompanho seus posts há bastante tempo e sou grato por muitas dicas. Nesse caso da bolsa, como cliente dos cinco maiores bancos do Brasil, tenho sido bombardeado pelos gerentes de conta com propostas de investimento em fundos multimercado. Para mim, a intenção vem sendo desviar recursos da renda fixa para comprar as ações vendidas pelos investidores estrangeiros evitando a queda e, ainda mais, causando um aumento artificial das cotações.
Como você mesmo diz, não há fundamentos na alta recente e eu deduzo que foi por essa manobra.
O que você acha?