quarta-feira, 26 junho 2019
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Os holofotes seguem mirando Caracas

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Nicolas Maduro
Foto: Marco Bello / Reuters

Nícolas Maduro poderia ter tido um fim de semana pior: Não sofreu um grande número de deserções por parte do seu apoio militar, segurou a violência dentro de proporções suficientes para não se tornarem as principais manchetes internacionais e manteve a ajuda humanitária mais uma vez fora do seu território através da repressão pesada por parte das suas forças de segurança.

Com a escalada das tensões e da violência nas últimas semanas, é pouco provável que a oposição de Juan Guaidó consiga manter o momento e a capacidade de mobilização interna e externa para derrubar o regime Maduro por muito mais tempo, mesmo com a sua volta a Caracas. Por isso, reconhecer Guaidó como o legitimo presidente da Venezuela representa uma enorme aposta para toda a comunidade internacional e líderes regionais que não conseguem impor qualquer avanço para terminar com o jogo.

Se Maduro resolver prendê-lo, articular novas negociações com aliados e convencer os compradores de petróleo restantes a pagar não mais que o necessário para financiar os seus generais e milicianos, ele poderia manter o controle do regime por muito mais tempo que o esperado.

Por outro lado, direcionar esforços apenas para pagar os generais e os demais que o sustentam no poder não seria suficiente para promover qualquer estabilização da situação política e social do país e tornaria o desastre humanitário doméstico ainda pior.

Assim a pergunta crucial é: Com a economia despedaçada e as exportações de petróleo caindo dia após dia e com o governo totalmente incapaz de alimentar o próprio povo, por quanto tempo Maduro irá durar?

E com a situação ficando cada vez mais insustentável, quais seriam os possíveis desfechos para a dramática realidade da Venezuela?

Tendo como base a história recente, podemos apontar cinco possíveis cenários:

  • Maduro alcança algo como Mugabe no Zimbábue, mantendo-se no poder as custas de um crescente isolamento internacional e de uma miséria brutal.
  • Como na Tunísia pós-Primavera Árabe, Maduro cai e Guaidó promove uma transição pacífica para a democracia.
  • Egito: Eleições livres são convocadas, seguidas por um golpe militar.
  • Líbia: A Venezuela sofre uma intervenção militar estrangeira e cai em guerra civil.
  • Síria: Maduro de fato no poder com diversas milícias controlando diferentes partes do país.

Independentemente do que acontecer, o cenário de transição democrática é o melhor para o futuro da Venezuela. Entretanto, para conseguir derrubar Maduro, seria necessário o rompimento das forças armadas com o ditador. Mas como os militares são hoje o principal pilar do regime e temem que a queda de Maduro os afete, cessando seus privilégios econômicos e ameaçando a sua liberdade, uma saída seria eles mesmos tomarem o poder.

Certo é que o compromisso do mundo para com o restabelecimento da democracia venezuelana não pode diminuir com o passar do tempo e que todas as cartas devem seguir na mesa.

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