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sexta-feira, 5 junho 2020
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Subutilização da força de trabalho aumenta pressão sobre o governo

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fila de emprego
Foto: G1

O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) informou nesta terça-feira que o desemprego voltou a aumentar no primeiro trimestre deste ano, atingindo níveis alcançados em maio do ano passado, momento em que o país passava por intensa pressão e indefinição política.

A taxa de desemprego subiu para 12,7%, registrando a terceira alta consecutiva, razoavelmente superior ao nível já considerado crítico de 11,6% registrado no quarto trimestre do ano passado.

Esperava-se que excluída a variável de indefinição de viés político, com um ambiente não tão pesado quanto o do ano passado, poderia haver melhora marginal em vários indicadores econômicos relevantes, entre eles PIB (Produto Interno Bruto) e taxa de desemprego.

Entretanto, o país ainda emite sinais da mesma paralisia macroeconômica observada no passado. Investidores e empresários continuam trabalhando em modo defensivo, aguardando sinalização de melhora para desengavetar projetos de expansão e/ou novos negócios. Não por acaso, o PIB continua ridiculamente baixo, enquanto o desemprego permanece extremamente elevado.

O excesso de cobertura sobre a tramitação da reforma da previdência transmite a falsa imagem de que sua aprovação (ou não) definirá, exclusivamente, o rumo do país para os próximos anos, talvez décadas. Como se a reforma fosse o nosso tudo ou nada. Apesar de sua grande importância para o futuro das contas públicas, a reforma da previdência é um processo lento e extremamente desgastante para acompanhamento da classe empresarial. Também não é nossa única forma de alcançar o superávit primário.

Aguardar a tramitação da reforma no Congresso pode consumir tempo demais para um país que ainda luta para se recuperar do forte período recessivo do passado. Enquanto a tramitação corre no Congresso, o governo deveria discutir e implementar outras formas de realizar ajuste fiscal de curto prazo, além de impulsionar a economia, principalmente para conseguir quebrar o ciclo vicioso econômico negativo predominante nos últimos anos.

A sensação é que após uma aventura nas trilhas lamacentas e traiçoeiras da selva heterodoxa, o motor do nosso jipe não aguentou e explodiu. Sobrevivemos ao acidente, mas o resgate ainda não conseguiu colocar a economia numa estrada mais segura, pavimentada e bem sinalizada. Ainda estamos traumatizados com o fracasso aventureiro do passado. É natural que investidores e empresários busquem cautela. O baque tem que ser superado, mas o governo precisa fazer sua parte, abrindo várias frentes de ataque em tudo aquilo que estiver relacionado à melhora no ambiente de negócios.

Os dados divulgados pelo IBGE nesta terça-feira revelam uma necessidade de ação rápida. A taxa de subutilização da força de trabalho bateu recorde, chegando a incríveis 25%. A subutilização é conhecida como mão de obra desperdiçada, pois é formada pelos trabalhadores desempregados, trabalhadores subocupados (que estão empregados, mas que gostariam e/ou poderiam trabalhar mais) e trabalhadores potenciais (aqueles que não buscam emprego, mas que estão disponíveis para trabalhar).

São cerca de 28,3 milhões de brasileiros que não trabalham ou trabalham menos do que gostariam. É o maior amontoado de desperdício de mão de obra desde o início da série histórica da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio), iniciada em 2012.

Na comparação com o quarto trimestre de 2018, a taxa de subutilização subiu 5,6%, o equivalente a 1,5 milhão de pessoas. No primeiro trimestre de 2014, a subutilização era de 15,5%. O crescimento acelerado deste indicador também puxou o número de pessoas em desalento, ou seja, aqueles indivíduos impossibilitados de procurar emprego ou que simplesmente não acreditam mais que encontrarão vagas disponíveis.

Além do gosto amargo para a economia, o número também representa ameaça para as eleições de 2020. Sem muita clareza sobre a possibilidade de conquistar os votos necessários para aprovar a reforma da previdência, além da tramitação em velocidade de tartaruga no Congresso, o governo precisa colocar em prática planos alternativos para melhorar a situação macroeconômica.

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2 COMENTÁRIOS

  1. O risco que existe é a sociedade se impacientar de vez,e com isto o governo também,e descambarmos de vez para o populismo economico

    E o tal do “neoliberalismo” levar mais uma vez a culpa,sendo que políticas liberais mesmo não houve nada neste governo

    O Guedes não conseguiu fazer nada de concreto ainda,e em parte e culpa do próprio restante do governo a que ele pertence

    Olho no “efeito Orloff”(os mais velhos saberão do que se trata),depois que até o Macri descambou de vez para o populismo economico(optou por reformas vagarosas e “água com açucar”),o mesmo pode acontecer por aqui

    Situação do governo de arrumar o fiscal é muito difícil,se não for pela reforma previdenciária terá que ser por cortes de subsídios diversos,aí vai ter que mexer na Zona Franca de Manaus(acho impossível,o presidente da Comissão Especial da reforma da previdencia é do Amazonas),cortar subsídios do agronegócio(importante base de apoio do governo Bolsonaro e com bancada extremamente forte) ou mexer no Simples e desonerações fiscais diversas(muito impopular e num primeiro iria deprimir ainda mais a economia)

    Rumamos célere para um desastre monumental

    • Ótimas ponderações Paulo Miranda, creio que a impaciência já começou, vide queda na popularidade do presidente. Se ao menos a classe empresarial estivesse mais otimista, a economia poderia entrar num ritmo melhor de recuperação, reduzindo consequentemente o desemprego e aumentando a arrecadação. Como está muito difícil melhorar a parte macro, o governo poderia partir para a parte micro, onde os efeitos são mais imediatos e mudanças não são tão lentas/travadas quanto na parte macro, o que poderia atrair os investimentos privados. O Estado está sem condições de investir e proporcionar impulso à economia. A retomada econômica é quase toda dependente da iniciativa privada, por isso o governo tem de focar na melhora do ambiente de negócios, reduzir um pouco a intensa nebulosidade existente hoje no horizonte, para que assim o capital busque o risco em expansões, novos negócios, etc. Sobre o fiscal, cedo ou tarde alguns bons subsídios terão de ser cortados, mesmo considerando aprovação da reforma da previdência. Se continuarmos teimando demais, podemos, no futuro, perder poder de compra (desvalorização da moeda e inflação). Macri não suportou a pressão popular e do próprio Congresso. Parece até que jogou a toalha na Argentina. Pior é que nas pesquisas de intenção de voto, estaria hoje perdendo para a Cristina Kirchner.
      Abs,

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