domingo, 22 setembro 2019
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Bolsa alcança 1 milhão de CPFs, sem Pelé

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Cerca de 10 anos atrás a BM&FBovespa (hoje B3) lançou uma meta ousada para alcançar 5 milhões de investidores pessoas físicas em 5 anos. A campanha, lançada em 2010, tinha como garoto-propaganda o Pelé, um dos principais ídolos dos brasileiros.

Propagandas foram veiculadas nos principais canais de televisão aberta e fechada com o slogan “Quer ser sócio?”. Entretanto, mesmo com o investimento pesado em publicidade por parte da BM&FBovespa, bancando até mesmo o papel de educar financeiramente o brasileiro, a investida ficou muito longe de alcançar qualquer resultado esperado.

Em 2010, o número de participantes pessoas físicas na bolsa era de 610.915. Nos dois anos seguintes, o número de CPFs caiu para 583.202 e 587.165, respectivamente. Cinco anos depois do início da campanha, em 2015, o número de participantes pessoas físicas na bolsa ficou ainda menor, em 557.109, contrariando fortemente a expectativa inicial da campanha (alcançar 5 milhões de CPFs).

Vários fatores colaboraram para frear o necessário avanço do mercado de capitais brasileiro no período, dentre os quais pode-se destacar alguns eventos traumatizantes como (i) os desastres nas políticas fiscal e monetária do governo Dilma Rousseff, (ii) esquartejamento nos preços das ações de empresas famosas, criadas e controladas pelo Eike Batista, (iii) quedas abruptas nos preços de algumas blue chips, como Petrobras e (iv) baixa necessidade de busca ao risco com uma taxa básica de juros de dois dígitos remunerando muito bem aplicações consideradas muito conservadoras.

Todos esses elementos que colaboravam para criação de um ambiente inóspito no mercado de capitais brasileiro deixaram de existir. Apesar de persistir os desafios fiscais, o governo atual possui um viés totalmente diferente da nova matriz econômica predominante no governo Dilma. A bolsa também propôs, no final de 2013, a primeira mudança em 45 anos na metodologia de composição de seu principal índice de ações, o Ibovespa, como forma de evitar novos casos negativos, como o ocorrido com as ações da OGX.

Na metodologia antiga, as ações da OGX possuíam peso relevante no Ibovespa, mesmo valendo menos de R$ 1,00, consequentemente, cada centavo de variação na OGX provocava impacto no índice. Normalmente, ações que custam menos de R$ 1,00 costumam ser muito voláteis. Para eliminar esse efeito negativo da alta volatilidade, a nova metodologia não

permite mais que empresas com valor unitário abaixo de R$ 1,00 façam parte da composição do Ibovespa.

Por fim, uma das principais forças que permitia manutenção do investidor pessoa física na comodidade da renda fixa, longe de ativos de risco, como as ações, foi varrida do mapa pelo excelente trabalho conduzido por Ilan Goldfajn, ex-presidente do Banco Central do Brasil (junho/2016 até fevereiro/2019).

Goldfajn assumiu o comando da autoridade monetária com uma taxa básica de juros de 14,25% ao ano. Obtendo sucesso na estratégia de combate à inflação, Goldfajn reconquistou a confiança da autoridade monetária com os agentes econômicos, o que permitiu implementar, ao longo dos meses/anos, cortes gradativos na taxa Selic, sem afetar as expectativas futuras para a inflação.

Com isso, a taxa básica de juros recuou sustentavelmente para a mínima histórica, os 6,50% ao ano. Esse patamar mínimo de Selic está sendo mantido com eficácia pelo Banco Central desde março de 2018.

Observando o cenário de estabilidade da taxa básica de juros em nível muito baixo para os padrões históricos, naturalmente os investidores pessoas físicas passaram a procurar por outras alternativas de investimentos não tão conservadoras, caso contrário, a rentabilidade de suas respectivas carteiras permaneceriam baixas.

Nesta recente onda de busca por ativos não tão conservadores, fundos de investimento de perfil moderado, ou mesmo agressivo, de diversas categorias, passaram a receber forte entrada de novos cotistas (investidores). Entre estes fundos podem-se destacar os multimercados macro, multiestratégia, quantitativos, arbitragem, juros ativo, crédito privado, crédito estruturado, long & short neutro, long & short direcional, long biased, entre outros.

Parte deste volume de capital empurrado para o risco, em busca de melhores retornos, está entrando, também, no mercado de renda variável. Nesta quinta-feira, a B3 informou que atingiu a marca histórica de 1 milhão de investidores pessoas físicas. No balanço de operações do mês de abril, a B3 registrou 1.046.244 CPFs. Somente neste ano, a B3 ganhou 232 mil novos participantes.

De forma não coincidente, o Tesouro Direto também ultrapassou a marca de 1 milhão de investidores no mês de abril, alcançando, mais precisamente, 1.006.547 CPFs. Esses dados confirmam a evolução, em curso, do mercado financeiro brasileiro, muito em função da percepção do investidor de que os velhos tempos de comodidade e bons rendimentos na renda fixa acabaram.

Pelé não conseguiu convencer os brasileiros procurar outras alternativas de investimento. O convencimento veio do próprio bolso do investidor, que não está enchendo tanto quanto no passado.

No entanto, é muito importante ressaltar a importância de o investidor estudar sobre os produtos financeiros e possuir um bom canal de informações transparente para não cair nas armadilhas do mercado. Caso você tenha necessidade de receber esse auxílio, sinta-se a vontade para nos procurar através dos canais de contato. Estamos prontos para lhe ajudar com o que for necessário.

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