terça-feira, 20 agosto 2019
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BCE muda orientação de política monetária

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Foto: Kai Pfaffenbach/Reuters

O Comitê de Política Monetária do BCE (Banco Central Europeu) decidiu nesta última quinta-feira manter inalterada a taxa de refinanciamento em 0% e a taxa de depósitos em -0,40%. O resultado do encontro de dois dias não surpreendeu o mercado, mas a orientação de política monetária sofreu uma guinada mais dovish por parte da autoridade monetária europeia, seguindo o fluxo de outros banqueiros centrais mundiais.

Até a reunião finalizada ontem, a última projeção do BCE era de que as taxas de juros não seriam alteradas até o fim de 2019. Essa previsão de manutenção de taxas de juros foi, agora, prolongada para pelo menos até o fim do primeiro semestre de 2020. A autoridade monetária considera que um amplo grau de acomodação ainda continua sendo necessário para sustentar a economia na zona do euro, por conta disso está adotando uma postura mais cautelosa e defensiva.

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Mario Draghi, presidente do BCE, disse em entrevista concedida a imprensa após o término da reunião de Comitê, que os riscos para a zona do euro pendem para o lado negativo por diversos fatores, entre eles as medidas protecionistas e disputas geopolíticas. A estimativa para o PIB de 2020 recuou de 1,6% para 1,4%. Para 2021, a expectativa para o PIB cedeu de 1,5% para 1,4%. As projeções de inflação continuam baixas, 1,4% para 2020 e 1,6% para 2021, ambas distantes da meta de 2% a ser perseguida.

Na tentativa de criar impulso à economia, o BCE reafirmou que vai reinvestir integralmente os recursos obtidos com o QE (plano de relaxamento quantitativo) por um período prolongado, sem perspectiva de interrupção. Isso significa que os pagamentos de juros/dividendos dos títulos em posse do BCE serão totalmente utilizados para comprar mais títulos no mercado.

A última rodada do QE europeu encerrou no mês de dezembro de 2018, mas o BCE não tem perspectiva para desalavancar nem uma pequena parte de seu balanço monstruoso de 2,6 trilhões de euros, assim como foi feito pelo FED. As toneladas de bonds de países europeus e outros ativos continuarão trancados nos cofres do BCE.

Além do reinvestimento dos juros/dividendos, o BCE vai iniciar paralelamente uma terceira rodada de empréstimos ultra baratos (conhecidos como TLTROs) a partir do mês de setembro deste ano, destinados ao setor bancário da zona do euro. A taxa de juros de cada operação será estabelecida num nível situado 0,10 p.p. acima da média da taxa de juros aplicável às operações principais de refinanciamento do Eurosistema (cuja referência é definida pelo Comitê de Política Monetária do BCE) ao longo do período de duração desta terceira TLTRO.

Com a TLTRO o BCE garante certa liquidez aos bancos, fornecendo empréstimos quase de graça, possivelmente com objetivo de criar alguma sustentação contra os eventos internos adversos que entraram no radar, dentre os quais pode-se destacar o enfrentamento da Itália contra a Comissão Europeia e as eleições antecipadas que irão ocorrer na Grécia em clima tenso. São dois países altamente problemáticos para a zona do euro.

Confira o post ‘Itália derruba camuflagem das dívidas europeias’

O BCE também parece estar preocupado com um Brexit desorganizado, sem acordo, já que existe forte possibilidade de o parlamento britânico eleger um primeiro-ministro eurocético para substituir Theresa May. Não por acaso, a artilharia de liquidez da TLTRO terá nada menos do que sete etapas, entre setembro de 2019 a março de 2021.

Draghi também ressaltou que durante a reunião de Comitê, diversos membros discutiram sobre a possibilidade de cortes nas taxas de juros. A declaração do presidente do BCE concedida à imprensa reforçou a tese de que o Comitê vai reagir a qualquer cenário mais adverso com novos cortes nas taxas de juros, mesmo considerando que o patamar de juros atual é baixo demais.

Os membros do Comitê também discutiram sobre os efeitos das taxas de juros negativas e da extensão da orientação futura da política monetária sobre a lucratividade dos bancos, mas a conclusão, segundo Draghi, é a de que ainda há espaço para uma política monetária ultra frouxa.

Assim como outros banqueiros centrais mundiais, o BCE acelera ainda mais sua rota dovish na política monetária.

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