segunda-feira, 21 outubro 2019
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Força e resiliência, como uma blue chip

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blue chip

A nova aproximação do Ibovespa com o importante patamar psicológico dos 100.000 pontos, justamente num momento de bombardeio de notícias negativas do ponto de vista político e econômico por parte da imprensa nestes últimos dias, pode estar surpreendendo alguns investidores/operadores.

O mercado não se assustou com os números mais recentes revelando continuação da fraca atividade econômica, muito menos parece ter se importado com a chuva de reportagens sobre o vazamento de conversas envolvendo Sérgio Moro e Deltran Dallagnol.

Apesar da sensação de forte tensão (possivelmente potencializada pela imprensa), o governo conseguiu demonstrar força nesta última terça-feira com aprovação do projeto que autoriza 248,9 bilhões de reais em créditos orçamentários fora da regra de ouro pela CMO (Comissão Mista de Orçamento).

A vitória na CMO sinaliza que a articulação do governo não foi fragilizada pelo evento do último domingo. O fato de o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, ter declarado que blindará a Casa de crises em prol da aprovação das reformas ajudou a injetar ânimo adicional no mercado.

Com o otimismo predominando no mercado financeiro local, o dólar recuou para R$ 3,85 e o Ibovespa saltou para 98.960 pontos. O movimento desta terça-feira não sinaliza apenas uma volta da aproximação da bolsa com a máxima histórica dos 100.000 pontos, mas também serve para relembrar nossas novas características de força e resiliência, constatadas desde a vitória de Jair Bolsonaro, em outubro de 2018.

Força e resiliência talvez sejam as palavras mais comuns utilizadas pelos investidores em Wall Street para descrever as características do URTH, ETF do índice MSCI, composto pelas maiores empresas do planeta. Desde outubro de 2018, o índice Bovespa tem oscilado de forma semelhante ao URTH.

Microsoft, Apple, Amazon, Facebook, Johnson & Johnson, JP Morgan, Alphabet, Nestle e Exxon Mobil estão entre as principais empresas que compõe a carteira do ETF global URTH. O fato de o Ibovespa conseguir trabalhar um padrão de oscilação semelhante ao URTH agrega uma condicionante especial nunca antes vista na história recente do índice. Um mercado robusto, que apesar de apanhar algumas vezes, tem conseguido se recuperar rápido.

A força desta condicionante é melhor observada na manutenção do descolamento do Ibovespa com suas principais referências, também nunca antes visto na história recente do índice.

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Ao comparar o desempenho do índice Bovespa (linha preta no gráfico acima) com um dos principais índices de commodities globais (índice CRB, linha pontilhada no gráfico acima), pode-se notar a abertura e manutenção de um enorme GAP. O Ibovespa está com desempenho atipicamente muito acima do índice de commodities e o mercado não demonstra apetite para comprar o fechamento da distância entre os dois índices.

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Para confirmar que não é uma situação atípica com um segmento específico (commodities), o gráfico acima releva o desempenho do índice Bovespa (linha preta) com o principal ETF de mercados emergentes (linha pontilhada). As mesmas características são observadas: descolamento de movimento em outubro de 2018, formação de um GAP gigantesco atípico e nenhum apetite do mercado para comprar o fechamento da distância entre os dois índices.

Descolado de suas principais referências históricas, apresentando força e resiliência inerente a um ETF como URTH, o índice Bovespa tem apresentado características típicas de uma blue chip global.

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Paulo Miranda
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Paulo Miranda

Tendo em vista que o fluxo recente que alimentou este último movimento de alta foi feito principalmente a partir de capital doméstico,como acha que as historicamente baixas taxas de juros aqui no Brasil influenciaram nestas distorções?

Muitos conhecidos meus que nunca investiram em ações vieram me pedir orientação,é gente que não aguentou mais a merreca que a RF está pagando