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sexta-feira, 18 setembro 2020
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O fantasma da reforma da previdência

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A reforma da previdência pode acabar se tornando em uma superstição no Brasil. Esta não é a primeira vez que aparecem mensagens/áudios polêmicos justamente num timing de fluxo positivo no Congresso.

A tramitação da reforma da previdência talvez seja uma via sacra dolorosa e longa demais para um país acostumado educar seu povo com as bondades patrocinadas pelos cofres públicos. Cortar benefícios nunca foi uma especialidade nossa. A barreira parece forte demais para ser superada. Quando a tentativa de superá-la está avançada, surge um novo entrave inesperado.

Justamente quando o governo Bolsonaro estava conseguindo avançar suas pautas no Congresso, alcançando o melhor momento de articulação política desde o início do mandato, surge um fato relevante potencialmente comprometedor.

O site Intercept Brasil publicou neste último domingo reportagens revelando possíveis trocas de mensagens entre o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro (época em que o mesmo ocupava cargo de juiz federal responsável pela Lava Jato em Curitiba) com o coordenador da operação, Deltan Dallagnol.

Os arquivos revelam supostas conversas entre Moro e Dallagnol sobre decisões, andamento das investigações e sugestões de testemunhas. O ministro e os procuradores negam que tenha havido alguma irregularidade, mas definitivamente é um assunto que roubará os holofotes na política a partir de agora, além de ser possível alvo de investigações, atrapalhando no processo de tramitação da reforma da previdência. O que parecia estar evoluindo, próximo de ser alcançado, agora ficou, no mínimo, mais distante.

Cerca de dois anos atrás, o conteúdo vazado do áudio de uma conversa polêmica entre o ex-presidente Michel Temer e o bilionário Joesley Batista detonou uma crise política sem precedentes, acabando com qualquer chance de aprovação da reforma da previdência.

Antes do vazamento do áudio, o governo Temer avançava com sua agenda de reformas e estava quase alcançando os votos necessários para aprovação da reforma da previdência na Câmara dos Deputados e no Senado. Depois da notícia bombástica, Temer apenas conseguiu lutar para se manter no poder e nada mais.

O evento é conhecido no mercado como Joesley Day, já que no dia seguinte houve forte abalo no mercado financeiro nacional. Foi acionado circuit breaker na B3, interrompendo os negócios por 30 minutos, na tentativa de acalmar a tensão. Neste dia, o Ibovespa caiu 8,8% e o dólar subiu 8,15%, pegando muitos investidores/operadores de surpresa, que até então trabalhavam com cenário positivo e/ou de aprovação da reforma da previdência naquele ano.

Desta vez, o impacto no mercado financeiro foi inexpressivo no dia seguinte após a divulgação de mais um áudio polêmico, talvez por não envolver a figura do presidente da república ou pelo fato de alguns estarem considerando um simples caso de tempestade em copo d’água, por sinal uma das especialidades da imprensa. O Ibovespa caiu 0,36% e o dólar subiu 0,18%.

Apesar da reação diferenciada do mercado desta vez, a notícia é negativa o suficiente para fragilizar Sergio Moro no cargo de ministro da Justiça e Segurança Pública e fortalecer o discurso da oposição contra o governo. As tramitações das pautas podem voltar a ficar travadas/lentas no Congresso e alguns parlamentares do centrão podem ser convencidos pela oposição a mudar de lado.

Bolsonaro deverá se reunir com Moro nesta terça-feira para traçar uma estratégia e, posteriormente, se pronunciar a respeito do caso. A mensagem e postura do presidente serão fundamentais para avaliação do mercado, que parece estar em modo de espera.

Independente dos impactos que ainda surgirão no mercado nesses próximos dias/semanas, parece inevitável calcular ao menos um prejuízo de percurso na tramitação da reforma da previdência, se é que ainda é possível imaginar reforma aprovada neste ano.

Em filmes de terror, fantasmas sempre surgem nos momentos inesperados ou quando todos estão agoniados, na torcida para que a situação tenha um desfecho positivo. Apesar de parte da população não torcer por um desfecho positivo na previdência, fato é que o fantasma está de volta, assustando justamente aqueles poucos aventureiros que pretendem investir ou empreender no país.

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2 COMENTÁRIOS

  1. Sem falar que a alta cúpula do judiciário já se manifestou que vai questionar constitucionalmente a reforma

    Estou bem pessimista,acho que vem uma reforma bem desidratada por aí

    Na verdade ela começou mal,Bolsonaro,ao alijar os militares da reforma(com a reestruturação de cargos e salários que ele enviou juntamente com a reforma destes),matou a reforma,e abriu a porteira para o restante do funcionalismo federal civil(que possui forte representatividade na Câmara e forte lobby) manter tudo como está através das emendas à reforma

    Esqueçam o mercado financeiro,olhem para o mundo real,para a economia real:

    Formação bruta de capital fixo no chão,aumento de lojas fechadas,aumento de desemprego,PIB caindo

    Poucas vezes vi e senti tanta desesperança no país..há uma atmosfera pesada,desânimo

    Chamam isso de anomia

    Situação semelhante a esta que eu me lembre foi o fim do governo Sarney,após os fracassos do Planos Cruzados I e II

    Este é um governo baixo astral que só produz notícias ruins

    • Realmente o ritmo de atividade está muito abaixo do necessário até mesmo para recuperar o patamar de produção e PIB per capta de de 5 anos atrás. Mesmo com crescimento de 2% PIB (o que muitos consideram positivo), o desemprego permaneceria elevado até meados da próxima década. Precisamos gerar crescimento de 4% PIB, mas não temos fiscal para impulsionar e muito menos ambiente de negócio propício para um choque de investimentos/novos negócios no setor privado, portanto, a situação é muito complicada.

      Abs,

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