quinta-feira, 5 dezembro 2019
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Do déficit à Guerra Comercial: a tecnologia como fator determinante

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Guerra comercial china eua
Foto: Jason Lee/Reuters

Nesse final de semana, os líderes do G20 se encontraram em Osaka, Japão. O tema principal desse encontro foi a “Guerra Comercial” envolvendo EUA e China.

 A primeira vez que a relação comercial entre Estados Unidos e China deixou de ser vista como solução e passou a ser encarada como causa de problemas foi em março de 2006. Naquele ano, o então Secretário do Tesouro norte-americano reclamara do tamanho do déficit comercial que os americanos contraíam com os chineses.

Assim, passados 8 anos, o que em 2008 era apenas uma pergunta marginal no debate presidencial entre Barack Obama e Mitt Romney, tornou-se a questão central e tema da campanha de Donald Trump. O então candidato, em meio aos bordões de “make America great again”, foi eleito.

Foto: Gage Skidmore/Wikimedia.

Desde então, o presidente estadunidense segue cumprindo suas promessas de campanha em relação à política de comércio exterior, colocando barreiras e tarifas às importações chinesas, na desenfreada busca de fazer a América “grande novamente”.

Dada a relevância da economia americana e chinesa, conforme suas políticas de comércio exterior foram sendo alteradas, rapidamente se tornaram manchete dos principais meios de comunicação. Tal confronto foi denominado “Guerra Comercial”.

A Guerra Comercial

Com isso, diversos analistas se aprontaram em apresentar avaliações dos possíveis ganhadores da eventual “guerra”, levando em conta apenas o volume de importações e exportações que poderiam ser tarifadas. Entretanto, essa análise se mostrou insuficiente, visto que o que esta disputa vai muito além da balança comercial deficitária estadunidense, incluindo diversos outros aspectos.

 Um deles é a possibilidade do PIB chinês ultrapassar o PIB americano nos próximos anos. Diante disso, no curto prazo, Trump impõe novas tarifas e barreiras comerciais para preservar o primeiro lugar no ranking da economia americana no ranking mundial. Já no longo prazo, trata do aumento da competitividade dessas economias, e o próximo meio para alcançá-la é a tecnologia.

 

Gráfico Evolução do PIB dos EUA e China, de 1980 a 2017.
Evolução do PIB dos EUA e China, de 1980 a 2017.

No inicio do ano, analistas estimaram que o PIB chinês ultrapassará o americano em 2030.

A tecnologia determina o vencedor

Nesse sentido, a Guerra Comercial é um dos campos de batalha, mas outros flancos também estão sendo abertos, entre eles a disputa por inovações tecnológicas.

Essas inovações transformam o competidor em ganhador, vez que o capacita a produzir mais e melhor, com o mesmo tempo e quantidade de recursos. Em relação à Guerra Comercial, alguns cientistas afirmam que o 5G se trata de uma tecnologia determinante de competitividade.

Resumidamente, a tecnologia propicia uma onda de inovações, ao criar novos produtos, processos produtivos, mercados e um boom de crescimento e desenvolvimento econômico.

Já em relação ao embate tecnológico, alguns analistas internacionais afirmam que a China detém mais competência sobre o 5G e a Huawei, além de líder na venda de smartphones, possui o domínio tecnológico para instalar a infraestrutura para operá-lo.

Huawei 5g china
Imagem: Andre M. Chang/Zuma Press/PA Images

Desta forma, o que inicialmente era um problema de déficit comercial, tendo como solução a taxação e barreira da balança comercial, evoluiu para uma disputa tecnológica e empresarial. Haja vista o Google, terceira maior empresa mundial, que acordou com o governo americano não operar mais em celulares produzidos pela empresa chinesa.

xi-jinping presidente da china
Foto: Johannes Eisele/ Getty Images

Portanto, com o passar do tempo, as notícias e análises relacionadas aos desdobramentos dos embates envolvendo China e EUA se tornarão frequentes. Entretanto, dessa vez, estas não estarão mais restritas à Guerra Comercial, passando a analisar também a disputa tecnológica envolvendo empresas e governos e, consequentemente, a disputa por competitividade entre as duas regiões.

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Gabriel Barbato
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Gabriel Barbato

Competitividade sempre é bom para o mercado, não? É por aí mesmo, então?