terça-feira, 20 agosto 2019
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FED corta juros pela primeira vez em 10 anos

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decisão fed
Fachada do prédio do Federal Reserve, em Washington DC, EUA. Foto: Reuters/Chris Wattie

Em reunião histórica realizada nesta terça e quarta-feira, o Comitê de Política Monetária do FED (Federal Reserve – Banco Central dos Estados Unidos) decidiu cortar a FFR (Federal Funds Rate – taxa básica de juros norte-americana) pela primeira vez nos últimos 10 anos.

Dando prosseguimento à estratégia dovish de política monetária, além de confirmar as expectativas de movimentos apresentados em comunicações anteriores, o FED reduziu em 0,25 p.p. a taxa básica de juros para o intervalo de 2,25% a 2,50% ao ano para 2,00% a 2,25% ao ano, em linha com as expectativas apresentadas pela ferramenta FedWatch do CME Group.

Mercado entra em semana decisiva

As dúvidas infundamentadas do mercado local a respeito da potência do primeiro corte na FFR estão devidamente superadas não somente pela comunicação transparente e eficiente da autoridade monetária, mas também pelos indicadores econômicos, bem como obviedade da estratégia.

Não faria nenhum sentido o FED se arriscar com um corte mais agressivo (0,50 p.p.) na primeira rodada do ciclo de afrouxamento monetário, pois desta forma criaria expectativa de que novos cortes na mesma magnitude poderão surgir ao longo dos próximos meses/trimestres. A quebra desta expectativa (interrupção dos cortes ou redução da potência para 0,25 p.p.) poderia desapontar o mercado e criar desnecessária tensão no ambiente de negócios.

Com reduções táticas de 0,25 p.p. e descorrelacionadas do efeito cascata (ou seja, não necessariamente deverão surgir novos cortes seqüenciais em todas as reuniões de Comitê), o FED consegue alimentar o vício do mercado financeiro por afrouxamento monetário em doses controladas e espaçadas entre as reuniões de Comitê, fazendo o possível para evitar criar exageros de curto prazo.

O gerenciamento do forward guidance também fica mais fácil, pois a partir deste primeiro corte de 0,25 p.p. o FED oficialmente entra num ciclo de afrouxamento monetário sobre a FFR, mantendo a mesma estratégia cautelosa do passado, porém desta vez para cortar os juros, evitando criar movimentos bruscos que poderiam assustar alguns players.

O corte de 0,25 p.p. também parece melhor enquadrado com o cenário macro doméstico. Embora a taxa de inflação de 1,6%, operando abaixo do centro da meta de 2% a ser perseguida pela autoridade monetária, provoque algum incômodo, abrindo espaço técnico para redução na FFR, a economia continua crescendo em boa velocidade de cruzeiro (PIB em torno de 2%), ainda longe de esboçar sinal de recessão.

Havia certo temor com uma desaceleração mais acentuada da atividade basicamente por conta da aproximação da taxa de juros do título da dívida soberana norte-americana de curto prazo contra a taxa de juros do título da dívida soberana norte-americana de longo prazo. As últimas recessões nos Estados Unidos foram precedidas por inversão na curva (Treasury de 2 anos pagando taxa de juros maior do que a Treasury de 10 anos).

Entretanto, apesar da aproximação de ambas as taxas, que ocorreu muito em função da guinada dovish na nova estratégia iniciada em dezembro de 2018 (forçando queda mais rápida da ponta curta, ajustando-se ao novo cenário de curto prazo), o flattening não chegou ocorrer de fato.

Por fim, o outro ponto determinante para o FED não entrar com agressividade no ciclo de afrouxamento monetário está no recuo histórico da taxa de desemprego. Atualmente em apenas 3,7%, a taxa de desemprego dos Estados Unidos é uma das menores da história, conforme pode-se notar no gráfico abaixo.

Taxa de Desemprego FED

A última vez que o desemprego atingiu níveis muito baixos foi em 1969, revelando uma solidez econômica extremamente atípica. Com o mercado de trabalho operando em pleno emprego, as margens nos modelos macro para cortes na taxa básica de juros são praticamente nulas.

O corte na FFR de 0,25 p.p. nesta quarta-feira pode ser considerado um ajuste preventivo diante da indefinição de cenário relacionado às disputas comerciais, desaceleração do crescimento global e, principalmente, pela brecha surpreendente criada pela inflação oscilando bem abaixo do centro da meta.

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