terça-feira, 20 agosto 2019
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Taxa Selic está pronta para mergulhar

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A taxa Selic de 6,5% ao ano pode ser considerada um oásis para o sistema financeiro global. Em algumas partes do planeta está ficando cada vez mais difícil emprestar dinheiro para alguém lhe pagar de volta com juros.

Caso o investidor queira optar pela segurança do mercado da dívida soberana, talvez nem receba nada em troca no vencimento do papel. Caso o investidor queira correr o risco para receber algum retorno real na operação, talvez tenha que se aventurar no mercado de high yield e emprestar dinheiro para empresas pouco conhecidas.

Essa é a dinâmica predominante em algumas praças desenvolvidas. Pouco prêmio e muito dinheiro na mesa. O resultado dessa equação é uma montanha absurda de juros negativos de mais de 13 trilhões de dólares espalhados em diversos papéis. Entre a segurança da dívida soberana e o risco do high yield, muitos ainda resistem na segurança dos títulos públicos.

Mas pode ser uma represa prestes a transbordar. Não se sabe por mais quanto tempo parte do capital vai se segurar no juro negativo, porém a dor provocada pelas taxas de juros dos títulos da dívida soberana está deixando de ser temporária (como se imaginava alguns anos atrás) e começa incomodar aqueles que precisam bater meta atuarial, ou simplesmente melhorar a rentabilidade do portfólio.

A recente onda de cortes nas taxas básicas de juros de países emergentes e, até mesmo, daqueles que estão no olho do furacão, considerados problemáticos demais, pode ser um sinal de que o transbordamento de liquidez já começou. Vários banqueiros centrais de segundo e terceiro escalão estão cortando suas respectivas taxas de juros, já que o ambiente global é extremamente favorável.

Até mesmo o novato Murat Uysal, que assumiu o comando do Banco Central da Turquia neste mês de julho, se sentiu confortável para cortar a taxa básica de juros em uma mão de 425 pontos base nesta quinta-feira, iniciando de forma turbinada um novo ciclo de afrouxamento monetário.

Se até mesmo a desorganizada Turquia, dilacerada pela fúria do mercado cerca de 12 meses atrás, conseguiu iniciar um pesado ciclo de afrouxamento monetário alegando condições positivas no ambiente externo, porque o Brasil, que começa fazer o seu dever de casa, deveria ficar de fora da onda dovish global? Não é sempre que aparece uma oportunidade dessa.

Mesmo sem ter deixado claro o sinal de corte na última reunião, o Banco Central do Brasil pode estar pronto para iniciar um novo ciclo de afrouxamento monetário. No mercado financeiro já se precifica abertamente um ciclo de afrouxamento monetário de, ao menos, 100 pontos base, com a Selic alcançando 5,5%.

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A taxa de juros futuros negociada atualmente na curva para 2021 é quase metade da taxa praticada cerca de um ano atrás. Com a curva fortemente fechada, ambiente externo muito favorável, inflação baixa, reformas em andamento e crescimento interno fraco, a taxa Selic pode estar pronta para um novo mergulho.

As dúvidas não estão mais relacionadas à possibilidade ou não de corte na taxa básica de juros, mas sim na intensidade. De um lado, casas como Bradesco e Goldman Sachs apostam numa queda de 0,25 p.p. na próxima reunião a ser realizada semana que vem, mas ainda assim projetando ciclo total de queda de 1 p.p., o que levaria a taxa Selic para 5,5% no fim deste ano.

As expectativas do Bradesco e Goldman Sachs são consideradas cautelosas pelo mercado. Alberto Ramos, economista-chefe do Goldman para América Latina, já admitiu possibilidade razoável de o ciclo começar com corte de 0,50 p.p. na próxima reunião, apesar de não ser o seu cenário base.

Por outro lado, Itaú e Bank of America Merrill Lynch estão apostando numa queda ainda maior da taxa Selic. Nas projeções do Itaú, a taxa básica de juros pode alcançar 5% já no fim deste ano. No Bank of America, a expectativa é que a taxa Selic deve encerrar 2019 em incríveis 4,75%, o que, se confirmada, representaria uma queda de 175 pontos base.

Não se sabe quem vai acertar o alvo para a Selic, mas o caminho parece pré-definido. Na avaliação do mercado, o Banco Central não deve fazer apenas um ajuste na política monetária, mas sim colocar a Selic para mergulhar rumo à profundezas nunca antes exploradas na história.

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Daniel
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Daniel

Olá, Robson. Este é um assunto que me deixa bastante dividido. Como investidor, fico incomodado com a atual rentabilidade tão baixa da renda fixa, mas como consumidor e cidadão, fico feliz com a inflação baixa e a menor possibilidade de um calote soberano (cujas consequências são terríveis para a população). Ainda acho que uma rentabilidade menor é um preço justo a se pagar para viver num ambiente macroeconômico mais estável e previsível. Meu medo é ocorrer o que um post recente do AA40 discorreu a respeito: que a excessiva liquidez mundial esteja levando a uma nova bolha de ativos, cujo… Read more »