quinta-feira, 5 dezembro 2019
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Impeachment de Trump inicia a corrida presidencial

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Nancy Pelosi, presidente da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos, anunciou na noite desta última terça-feira (24/09) abertura de processo de impeachment contra Donald Trump. A notícia, inicialmente com potencial arrasador para os mercados, mal surtiu efeito nos preços dos ativos.

Fechamento do mercado pós anúncio do impeachment

Ao contrário do que muitos imaginavam, o índice S&P500 encerrou o pregão desta quarta-feira em alta de 0,62%. Dow Jones subiu 0,61% e Nasdaq 1,05%. Os ativos de risco em Wall Street valorizaram no pregão seguinte após a decisão da presidente da Câmara dos Deputados.

A princípio, não parece ser um case de irracionalidade do mercado. Em outras palavras, isso demonstra que os investidores não enxergam qualquer possibilidade de o impeachment se materializar. Talvez, sequer vislumbrem fragilização de Donald Trump para a disputa presidencial de 2020.

Para saber mais sobre a relação de Trump com o mercado norte-americano, confira nosso artigo!

Trump e os republicanos

No Partido Republicano, Donald Trump é amplamente apoiado para tentar a reeleição ano que vem. Não há candidatura concorrente dentro de seu partido, o que evita desgastes normalmente observados nas fases das primárias. Por outro lado, no Partido Democrata, a concorrência é extremamente elevada. Atualmente existe uma lista extensa de nomes para enfrentar Trump em 2020, acirrando os debates das primárias dentro do partido.

Os democratas não esperam sucesso no processo de impeachment por duas razões:

  1. Por conta do timing até as eleições (procedimento demorado), e
  2. Pela grande desvantagem no Senado, onde o processo será julgado.

Nos Estados Unidos, a Câmara, de maioria Democrata, apenas vai decidir votar ou não pelo impeachment de Trump. Caso a Câmara aprove o processo por maioria simples, o impeachment será julgado no Senado, que por sinal é dominado pelos Republicanos.

Impeachment de Trump

Trump só perderá a cadeira de presidente dos Estados Unidos caso 2/3 dos senadores votarem a favor do impeachment. Algo quase impossível de acontecer. Dentre os 100 senadores, 53 são republicanos, 45 democratas e 2 são independentes.

A possibilidade altamente remota de o impeachment acontecer de fato pode revelar a estratégia da oposição para encarar Donald Trump em 2020. Atualmente, os democratas possuem quatro nomes fortes para vencer as primárias do ano que vem:

  1. Joe Biden;
  2. Elizabeth Warren;
  3. Bernie Sanders; e
  4. Kamala Harris.

O racha dentro do partido é grande. Além disso, os debates acalorados das primárias estão provocando efeitos colaterais danosos aos candidatos do próprio partido.

E os democratas?

Os democratas querem evitar outra frustração como a ocorrida em 2016 com a candidata Hillary Clinton, até então considerada amplamente favorita à Casa Branca. As fragilidades políticas de Hillary permitiram rápida ascensão de Trump na reta final das eleições presidenciais de 2016.

A elevada temperatura dos debates nas primárias do Partido Democrata pode criar polêmicas a serem exploradas pelos republicanos na corrida presidencial de 2020. Desta forma, a abertura de um processo de impeachment pode ter objetivo de ofuscar os discursos acalorados nas primárias dos democratas, ou até mesmo indicar o candidato preferido do partido para encarar Donald Trump em 2020: Joe Biden.

Fonte: news.sky

Os motivos responsáveis pela criação de um processo de impeachment contra Trump colocam Joe Biden como vítima na história. Sem dúvida, isso cria um elemento político para cativar potenciais eleitores em 2020. O movimento também atrai atenção dos eleitores nas primárias para Joe Biden, roubando foco de Bernie Sanders, por exemplo, candidato considerado menos centro e mais à esquerda. Joe Biden, por outro lado, é mais inclinado ao centro, possui um perfil aparentemente aceitável ao eleitor norte-americano que nunca demonstrou aproximação forte com a esquerda.

Futuro das eleições

As pesquisas revelarem claramente que os eleitores democratas preferem, hoje, escolher um(a) candidato(a) que possa ganhar de Trump do que um(a) candidato(a) que esteja alinhado com seus próprios pensamentos. Entretanto, os políticos do partido entendem que no momento dos debates presidenciais a agenda do candidato tende ganhar relevância na decisão dos eleitores norte-americanos.

Portanto, candidatos com propostas mais à esquerda, como Bernie Sanders, podem representar riscos mais elevados de uma nova derrota democrata, comparado ao previsível (e agora vítima) Joe Biden. A estratégia do impeachment pode revelar que os políticos do alto escalão do partido já escolheram o candidato para enfrentar Trump em 2020. Tal gesto também sinaliza estratégia de deslocamento mais ao centro e menos à esquerda dentro do próprio Partido Democrata.

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