quinta-feira, 5 dezembro 2019
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Encontro do BRICS e a relação entre Brasil e China

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Na foto: os líderes de cada país do bloco do BRICS
Fonte: Sputnik (2019)

O primeiro dia do Fórum Empresarial dos BRICS, realizado nesta quarta-feira em Brasília, ficou marcado por gestos importantes de aproximação comercial entre Brasil e China. Líderes de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul se mostraram propensos a facilitar a cooperação dentro do Brics, mas um potencial investimento chinês de grandes proporções no estado do Maranhão chamou atenção para uma aproximação mais acelerada entre ambos os países.

Brasil se aproxima da China

De modo que os boatos circulam no mercado, que a China, atualmente a maior parceira comercial do Brasil, está prestes a anunciar um investimento bilionário no Porto de São Luiz, através da CCCC (China Communications Construction Company), uma de suas gigantes estatais.

O projeto tem potencial para ser o maior investimento estrangeiro direto anunciado para o Brasil em 2019.

O projeto do Porto de São Luiz vai ser interligado pela Ferrovia Norte-Sul, atendendo as áreas central, norte e nordeste do país. O terminal de uso misto deve possuir uma retroárea de 1.500.000 metros quadrados, facilitando o escoamento de produtos para o mercado externo, principalmente agrícolas, onde existe grande interesse chinês.

Dinheiro chinês

Investimentos chineses também podem ser anunciados para melhoria da malha ferroviária que atende o Porto de São Luiz. Então, caso concretizado, o movimento da China chega em ótimo momento para o Brasil, que ainda luta para se recuperar da longa recessão do passado, muito dependente de investimentos em infra-estrutura para destravar um ciclo de crescimento sustentado de médio e longo prazo.

Deste modo, é possível notar existência de esforço de ambos os países para maior aproximação.

Este é o segundo encontro entre o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, com o presidente da China, Xi Jinping, em menos de um mês. Nesta quarta-feira, Bolsonaro afirmou que o país asiático faz parte do futuro do Brasil.

Discursos alinhados

Com resposta de acordo com o aceno de Bolsonaro, Xi Jinping disse em coletiva à imprensa que a relação entre ambos os países é extraordinária, destacando enxergar futuro promissor em função da amizade e cooperação sino-brasileira.

Expectativa de expansão

É possível que os chineses estejam pretendendo expandir a famosa Nova Rota da Seda, que já engloba a Ásia, África e Europa, agora para a América do Sul, desembarcando primeiramente no Brasil, principal player da região. A localização geográfica (extensa área litorânea e divisa com vários países da América Latina), juntamente com a agricultura modernizada, são as duas principais cartas, ambas na mão do Brasil, para viabilidade da expansão da Nova Rota da Seda.

Sendo assim, os potenciais investimentos pesados no porto de São Luiz, bem como na malha ferroviária brasileira, parecem ser apenas a primeira etapa de um mega projeto para melhorar o escoamento de produção de vários países latino-americanos para o mercado externo.

Os chineses já demonstraram interesse em investir, também, em linhas ferroviárias argentinas, chilenas e peruanas, com objetivo escoar a produção, principalmente de produtos agrícolas, com mais agilidade e menor custo aos portos da China.

Crescimento do países emergentes

As oportunidades de negócios entre os BRICS são consideradas expressivas, em função do crescimento populacional robusto, o que acelera exponencialmente o consumo. O presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, deu a dica ao ressaltar que somente seu país deverá ter um consumo domiciliar de 2,5 trilhões de dólares até 2030.

O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, afirmou que em breve o PIB (Produto Interno Bruto) de seu país alcançará 5 trilhões de dólares, ressaltando a rápida velocidade de crescimento da economia indiana, responsável por retirar milhões de famílias da pobreza.

Vladimir Putin, presidente da Rússia, disse que seu país pretende aumentar ainda mais a cooperação em áreas estratégicas para os BRICS, como a farmacêutica, nuclear, informática e aeronáutica. É importante ressaltar que a Rússia assumirá a presidência dos Brics em 2020 e pretende propor avanços/parcerias principalmente na área de energia nuclear.

Resumo do primeiro dia

Em suma, a cúpula dos BRICS revela um desejo de maior cooperação para que os negócios sejam ampliados dentro do bloco, indo na direção contrária do viés protecionista observado no cenário global.

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