quinta-feira, 5 dezembro 2019
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O choque de realidade da cessão onerosa

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Na foto: um funcionário da Petrobrás com sua roupa de proteção. Ao fundo, plataformas de Biodiesel.
Fonte: Amazonas Atual (2019)

A tão aguardada cessão onerosa, ou melhor, o megaleilão do pré-sal marcado para esta última quarta-feira decepcionou as expectativas que circulavam no mercado. Das 14 empresas habilitadas a participar do certame, apenas 7 se deram ao trabalho de comparecer no local para sair na foto e apenas um player se destacou, justamente a Petrobras.

Praticamente sem concorrência, a Petrobras arrematou no preço mínimo duas áreas de explorações oferecidas pelo governo brasileiro. Outras duas áreas disponíveis na cessão onerosa não tiveram nenhum lance, nem mesmo da Petrobras.

Expectativa vs realidade

Até então, estimava-se que o governo federal poderia arrecadar cerca de 106,5 bilhões com o megaleilão desta quarta-feira, o que seria mais um evento muito positivo para o alívio das contas públicas. Entretanto, a arrecadação ficou em 69,9 bilhões de reais.

Sendo assim, várias teses/boatos passaram a circular no mercado para justificar a falta de interesse dos grandes players estrangeiros de petróleo. Alguns explicaram que o preço estava alto demais, outros reclamaram das regras da cessão onerosa estarem muito complexas e, por fim, a preocupação com o futuro do país também pode ter contribuído para frustração com o megaleilão.

Onde estão os players estrangeiros?

Ainda que os pontos ressaltados no parágrafo anterior possam ser considerados pertinentes, existe uma quarta variável pouco comentada na imprensa brasileira que poderia justificar a surpresa com a ausência dos players estrangeiros.

Os investidores tem pressionado cada vez mais as grandes petroleiras mundiais sobre a viabilidade de projetos/investimentos relacionados à commoditie, considerados gigantes e/ou de maturação à longo prazo. As diretorias de algumas empresas parecem endossar a pressão dos investidores e acionistas, adotando cautela na análise de grandes projetos.

O impacto da tecnologia

O avanço da tecnologia do setor de energia está acelerando o processo de reorganização estratégia de alguns players, para que busquem projetos e investimentos em fontes de energias limpas.

Um recorde frustrado

Ainda assim, mesmo com a frustração na cessão onerosa da última quarta-feira (6), os 69,9 bilhões de reais bateram recorde histórico. Nenhum outro país no mundo conseguiu arrecadação igual ou superior em um leilão de exploração de petróleo nos termos de bônus de assinatura fixa.

A Petrobras arrematou os dois blocos com oferta para ter 90% de participação em Búzios, dividindo os outros 10% com as chinesas CNODC e CNOOC, com 5% cada, al 100% de participação sobre Itaipu.

Tudo sob controle

O presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, ressaltou que apesar do investimento ser considerado elevado, não haverá elevação na dívida da empresa, já que os recursos estão disponibilizados atualmente no caixa. Importante destacar que, somente neste ano, a Petrobras captou no mercado financeiro nacional mais de 15 bilhões de reais com emissões de debêntures incentivadas

As atenções do mercado foram concentradas no próximo certame que foi realizado nesta quinta-feira (7). Cinco áreas do pré-sal foram leiloadas, porém sob o regime de partilha, onde muitos players consideram mais convencional, já que as áreas ainda não possuem atividades exploratórias.

Reação do mercado

Com esse resultado da cessão onerosa, o dólar teve alta de 0,25% e as ações da Petrobras (PETR3 e PETR4) sofreram com uma forte volatilidade esta semana na Bovespa. Além disso, outra notícia que mexeu com o mercado internacional foi a definição sobre o maior IPO da mundo!

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