Indicadores ao Investidor II: Emprego USA, Dívida Pública, Alta do Dólar e impactos na Bolsa de Valores

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Mercado de Capitais

Este é um resumo do Cenário do Mercado de Capitais no momento, com números dos EUA, Câmbio, juros no Brasil, ciclos econômicos e mais!

1 – Emprego EUA

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Na sexta-feira passada, tivemos a divulgação do nível de emprego nos EUA, o qual apresentou a menor taxa da história. No gráfico acima, que compreende desde os anos 40, este movimento fica evidente. Importante ressaltar que a legislação trabalhista atual dos EUA é uma das mais liberais do mundo, permitindo ao empregador contratar e demitir com facilidade, o que impacta diretamente no desemprego.

A boa notícia é que os EUA estão contando com o maior pacote de socorro governamental na história da economia mundial. O mercado acredita que esta crise (de demanda e não financeira) tem data para acabar e gradualmente alguns estados estão voltando às atividades econômicas, inclusive a California, oitava maior economia do mundo.

2 – Juros Dívida Brasil X Bolsa de Valores

2 - Juros Dívida Brasil X Bolsa de Valores
Fonte: Investing. Elaboração própria.

Neste gráfico podemos ver a relação entre os Bonds de 10 anos da dívida brasileira (branco) e o Ibovespa (laranja).

“Os Bonds” significam na prática, o custo que o Governo brasileiro tem para rolar a dívida pública, num prazo de 10 anos, portanto o preço que o investidor cobra para investir no Tesouro brasileiro. Podemos ver com alto nível de precisão um comportamento inversamente proporcional entre os dois produtos. O motivo é simples, a medida que o risco diminui na economia brasileira, tanto do ponto de vista de estabilidade econômica quanto política, os juros caem e a bolsa tende a se valorizar atraindo mais investidores. De 2016 (pós impeachment) até final de 2019 tivemos uma trajetória de baixa nos Bonds brasileiros e de alta na Bolsa de Valores.

Existiram algumas grandes instabilidades nessa trajetória, que se mostraram bons pontos de entrada na Bolsa. Os momentos foram ocasionados pelas crises políticas como o “Joesley Day” em 2017 (Temer e irmãos Batista), a pré candidatura do Lula em Julho de 2018, e pela crise econômica gerada pela Greve dos Caminhoneiros em maio de 2018. Facilmente identificados no gráfico pela subida nos juros e quedas na bolsa.

Mercado de Capitais: onde estamos atualmente?

Onde estamos atualmente na Bolsa?
Fonte: Investing.

Fazendo um recorte na relação dos produtos de 2019 para cá, podemos ver que no ano passado essa trajetória continuou na mesma direção, com diminuição dos juros e aumento proporcional da rentabilidade em bolsa.

No momento em que a Crise ocasionada pelo coronavírus começou, alterando bruscamente as previsões econômicas e o nível de risco nas economias globais, a bolsa veio caindo na medida em que os juros foram subindo.

Somados ao Corona tivemos a saída conturbada de um dos 2 principais Ministro do Governo, Sergio Moro, e mais disputas políticas que trouxeram mais riscos aos mercados.

Esse fator acabou elevando novamente os juros e reduzindo a velocidade de recuperação da bolsa, até então estávamos seguindo a recuperação das bolsas internacionais e acabamos descolando, movimento evidente quando observamos que os juros internacionais continuaram a cair e o nosso disparou naquele momento, invertendo a trajetória de curto prazo na bolsa.

Ciclos econômicos e oportunidades do mercado de capitais

Quando acrescentamos outro indicador, o Ibovespa Dolarizado (em verde no gráfico) que é como o Investidor Estrangeiro (principal investor em volume em bolsa e juros) analisa nosso mercado, observamos que estamos em um valor de preço historicamente atrativo dada subida da taxa de câmbio.

Ciclos econômicos e oportunidades do mercado de capitais
Fonte: Investing. Elaboração própria.

Esses são exemplos de mais alguns indicadores que monitoramos para auxiliar na tomada de decisão no mercado de capitais, tanto nas posições de curto como de longo prazo.

3 – Alta do dólar e o Diferencial de Juros

Conforme detalhamos na semana passada, alguns são os motivos da alta do dólar, entre os principais o “carry-trade” (Diferencial de Juros) nos títulos brasileiros, esse termo diz respeito a diferença de ganho que o Investidor Estrangeiro obtém ao investir na renda fixa brasileira.

Confira a evolução dessa relação no gráfico abaixo:

3 – Alta do dólar e o Diferencial de Juros

Estamos no menor patamar histórico de carry em nossos títulos, diante da mais recente queda na SELIC, na prática nunca foi tão desinteressante para o Investidor Estrangeiro investir no Brasil em termo de rentabilidade na renda fixa mais segura do país. Esse quadro da continuidade na saída de recursos estrangeiros especulativos nos juros, mantendo a taxa de câmbio em patamares altos.

4 –  Projeção para comportamento do PIB dos Estados Unidos

4 -  Projeção para comportamento do PIB dos Estados Unidos:

Segundo estudo do Bank of America (BofA), este seria o comportamento projetado da economia norte americana durante os efeitos do combate ao COVID19:

– Na linha laranja temos uma tendência natural de crescimento do PIB projetada no início do ano.

– Na azul que fica tracejada, temos a projeção do BofA, primeiro com uma fase de fechamento da economia, depois uma fase de transição onde alguns setores permanecem fechados e outros vão reabrindo; em terceiro temos a fase de recuperação.

– Nesse momento estamos na fase de transição, alguns Estados e setores já retomaram suas atividades, mas grande maioria da economia norte americana ainda está em quarentena devido aos efeitos do vírus. Esse movimento fica refletido no primeiro indicador que apresentados hoje (emprego).

– Importante notar que mesmo depois, na fase de recuperação, o banco não projeta uma retomada para trajetória natural do PIB em 2021. A recuperação desse GAP será lenta e gradativa, devido intensidade da queda no primeiro semestre deste ano (a maior já vivida na maioria das economias mundiais).

5 –  Preço e Lucro nas Bolsas dos Estados Unidos

5 -  Preço e Lucro nas Bolsas dos Estados Unidos
Fonte: Morgan Stanley

No gráfico acima temos a relação de dois importantes indicadores, do principal índice dos EUA, o SP500 (500 maiores empresas listadas nas bolsas):

– Lucro por ação (em amarelo): forte queda na projeção do lucro por ação das empresas listadas no SP500. Como esperado, os resultados e lucros das empresas estão sendo fortemente impactados pela quarentena;

– Preço/Lucro (em azul): O Preço por Lucro é um importante indicador na análise fundamentalista de ações, que tende a mostrar o quão caro, ou barato, está um ativo em relação ao lucro que ele entrega hoje. Podemos ver que por este indicador a bolsa americana está no patamar mais caro de sua história, e em descompasso com o indicador de lucro por ação. Mas por que isso acontece?

Para resumir a explicação, vou abordar 2 pontos:

1 –  Mercado de investimentos não trabalha com o “agora” e sim com expectativas futuras. Este é um erro clássico de “timing” dos investidores inexperientes, esperar pelas coisas melhorarem ao seu redor para irem comprando novamente ações. O indicador amarelo é a foto do lucro das empresas agora, mas boa parte desse movimento já foi refletido na queda de mais de 30% que o SP500 teve ao longo do mês de março. Portanto, o mercado está precificando nesse momento uma expectativa de recuperação para daqui 6 meses, 1 ano…

2 – Eu poderia resumir o segundo, e principal, motivo com apenas essa caricata imagem:

FED, BCE e BoJ

A ação das principais economias

Conforme abordado em nossos webinares anteriores o mais importante, na visão dos investidores, para dar fim as quedas vertiginosas nos mercados, era saber qual seria o tamanho e velocidade de atuação dos Bancos Centrais e Governos nas principais economias do Mundo.

Quer saber mais sobre o impacto do cenário macroeconômico em seus investimentos? Converse com um Assessor clicando aqui!

As principais economias do mundo (EUA, Zona do Euro e Japão) foram muito rápidas e intensas ao apresentar para o Mercado os maiores planos de recuperação econômica e expansão monetária na história econômica mundial. Este fato deu liquidez de sobra aos mercados, fazendo com que o crédito não ficasse restrito, o que poderia transformar essa crise de demanda em uma crise financeira.

É possível que tenhamos correções em algumas bolsas pelo mundo. Porém, provavelmente não será numa intensidade suficiente para causar um “double deep”, um duplo mergulho do mercado de capitais que façam os mercados internacionais alcançarem os níveis de queda verificados em março.

O que o Mercado precifica hoje, é que não teremos uma crise financeira, e que a maior parte das expectativas econômicas pessimistas já aconteceram, portanto, as bolsas recuperam gradualmente (na velocidade de cada setor e estímulos) a medida que as economias reabrem suas atividades.

Assessor de Investimentos

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