O que seria da zona do euro sem os alemães?

Essa é uma das indagações mais comuns feitas por vários players no mercado financeiro global há algumas décadas. O bloco mais famoso do mundo já enfrentou várias crises no passado, passou por alguns momentos de quase ruptura, bancou resgates bilionários em alguns países membros e superou movimentos políticos anti-euro.

Protagonismo alemão

A zona do euro passou por todos esses momentos delicados e ainda continua de pé, muito em função do protagonismo dos alemães. Não somente as estratégias de enfrentamento dos drivers estressantes se mostraram eficazes, mas, principalmente, o timing em que as decisões foram tomadas.

O novo ruído sobre o euro desta vez é diferente, pois nasceu justamente dentro da Alemanha.

Neste mês de maio, a Corte Suprema da Alemanha exigiu explicações ao BCE (Banco Central Europeu) sobre sua compra maciça de títulos governamentais na zona do euro. O caso é muito complexo para o BCE responder a Suprema Corte alemã com um simples paper de política monetária.

Quantitative Easing alemão

Primeiramente, dentro do gigantesco programa de quantitative easing europeu (QE Brasil, QE EUA, QE Japão), somente o Bundesbank (Banco Central da Alemanha) é responsável por comprar 1/4 de todo o volume do programa. Todos os demais banqueiros centrais que integram os países cobertos pelo BCE ficam responsáveis de comprar os 3/4 restantes do programa de quantitative easing.

O Tribunal ordenou que o governo e o Parlamento da Alemanha obriguem o BCE a realizar uma avaliação da proporcionalidade de suas compras de dívida dos governos, para, assim, ter mais clareza de que os efeitos de política econômica e fiscal não sobrepassem seus objetivos legais de política monetária.

Política monetária da zona do euro

Essa será uma explicação difícil para o BCE, pois a própria autoridade monetária europeia ressaltou diversas vezes no passado a importância de os países membros colaborarem mais no combate às crises, o que aparentava demonstrar que o fardo estava ficando pesado demais para o BCE apagar todos os incêndios fiscais e econômicos dentro do bloco.

Caso o BCE não consiga justificar sua política monetária até o prazo máximo de três meses, a Suprema Corte da Alemanha determinará que o Bundesbank não estará mais autorizado a participar de programas de compras de títulos públicos na zona do euro.

Nesse caso, a zona do euro provavelmente vai passar por um novo momento extremamente delicado, pois para manter o sistema operante (importante ressaltar que os países não possuem condições de se endividar normalmente a custo baixo no mercado, em função das dívidas muito elevadas), todos os demais banqueiros centrais integrantes do BCE teriam que suprir o volume de compras que o Bundesbank deixará de fazer.

A influência do Bundesbank na zona do euro

Como se não bastasse a dificuldade de ter de arrumar comprador rapidamente para 1/4 de todo o volume do programa de quantitative easing do BCE, o Bundesbank seria obrigado, também, a vender todos os títulos em sua carteira. Em outras palavras, além de o BCE perder seu principal banqueiro comprador, teria de lidar também com um gigantesco player vendedor de títulos na zona do euro, o que provavelmente provocaria um colapso no mercado de títulos da dívida pública de todo o bloco.

Correm boatos na Europa que o BCE já está preparando seu plano de contingência para este cenário catastrófico, mas que no momento, a única opção comentada no mercado é uma ação judicial do BCE contra o Bundesbank, seu principal acionista.

Caso a situação não seja resolvida e acabe numa batalha judicial sem precedentes entre BCE e a Suprema Corte Alemã, o mercado poderá voltar questionar a viabilidade da zona do euro, já que neste caso caberia suspeita de que o principal player do bloco estaria pretendendo abandonar o barco.

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