O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) cortou hoje a SELIC (taxa básica de juros) em 0,75%. O corte na Selic veio em linha com o esperado pelo mercado (já precificado), a SELIC agora está em seu valor mais baixo da história, em 2.25% ao ano.

ciclo de baixa no corte selic
Fonte: XP Investimentos

A decisão de corte da Selic foi pautada diante das deflações atuais observadas e do fraco desempenho econômico, aprofundado pelos efeitos da atual crise reflexo do choque de demanda causado pela Covid-19.

Outro fator que incentivou o BC a diminuir o valor da taxa de juros foi o excesso de liquidez mundial, e baixas taxas de juros estruturais no mundo, que fica evidente na precificação dos juros futuros por parte do mercado financeiro.

No dia de hoje antes da reunião do COPOM, a curva de juros precificava o seguinte cenário:

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– Selic em 2,25% (18/06), com relevantes apostas de um novo corte da Selic para 2,00% em Agosto. A curva estimava juros entre 2,25% e 2,50% para o final deste ano e juros entre 2,50% e 2,75% para o início de 2021. Ao final de 2021, expectativas do mercado próximas de 4,75%;

– Janeiro de 2022: Juros entre 5,00% e 5,25%, aumentando o prêmio de risco ao longo do ano com fechamento em 6,75% – ano eleitoral;

– Curva precificando juros de 7,00% em Janeiro de 2023. Para Janeiro de 2024, curva com expectativas entre 7,75% e 8,00%.

No comunicado de hoje, o COPOM não fechou a porta para potenciais novos cortes:

…“O Copom entende que, neste momento, a conjuntura econômica continua a prescrever estímulo monetário extraordinariamente elevado, mas reconhece que o espaço remanescente para utilização da política monetária é incerto e deve ser pequeno”…

…“Para as próximas reuniões, o Comitê vê como apropriado avaliar os impactos da pandemia e do conjunto de medidas de incentivo ao crédito e recomposição de renda, e antevê que um eventual ajuste futuro no atual grau de estímulo monetário será residual”…

Qual impacto do corte da Selic em nossos investimentos?

Conforme gráfico acima, historicamente taxa de juros é inversamente proporcional ao Ibovespa.

Você pode conferir esta relação mais detalhada nos seguintes artigos:

COPOM corta SELIC em 0.5 ponto: como isso afeta meus investimentos?

Indicadores ao Investidor I: Novo corte SELIC, Juros Futuros, Investidores Estrangeiros e Bolsa de Valores

Confira o comunicado na íntegra do novo corte da Selic:

Em sua 231ª reunião, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu, por unanimidade, um novo corte da Selic para 2,25% a.a.

A atualização do cenário básico do Copom pode ser descrita com as seguintes observações:

No cenário externo, a pandemia da Covid-19 continua provocando uma desaceleração pronunciada do crescimento global. Nesse contexto, apesar da provisão significativa de estímulos fiscal e monetário pelas principais economias e de alguma moderação na volatilidade dos ativos financeiros, o ambiente para as economias emergentes segue desafiador;

Em relação à atividade econômica, a divulgação do PIB do primeiro trimestre confirmou a sua maior queda desde 2015, refletindo os efeitos iniciais da pandemia. Indicadores recentes sugerem que a contração da atividade econômica no segundo trimestre será ainda maior. Prospectivamente, a incerteza permanece acima da usual sobre o ritmo de recuperação da economia ao longo do segundo semestre deste ano;

O Comitê avalia que diversas medidas de inflação subjacente se encontram abaixo dos níveis compatíveis com o cumprimento da meta para a inflação no horizonte relevante para a política monetária;

Expectativas para inflação

As expectativas de inflação para 2020, 2021 e 2022 apuradas pela pesquisa Focus encontram-se em torno de 1,6%, 3,0% e 3,5%, respectivamente;

No cenário híbrido, com trajetória para a taxa de juros extraída da pesquisa Focus e taxa de câmbio constante a R$4,95/US$*, as projeções do Copom situam-se em torno de 2,0% para 2020 e 3,2% para 2021. Esse cenário supõe trajetória de juros que encerra 2020 em 2,25% a.a. e se eleva até 3,00% a.a. em 2021; e

No cenário com taxa de juros constante a 3,00% a.a. e taxa de câmbio constante a R$4,95/US$*, as projeções situam-se em torno de 1,9% para 2020 e 3,0% para 2021.

O Comitê ressalta que, em seu cenário básico para a inflação, permanecem fatores de risco em ambas as direções.

Por um lado, o nível de ociosidade pode produzir trajetória de inflação abaixo do esperado. Esse risco se intensifica caso a pandemia se prolongue e provoque aumentos de incerteza e de poupança precaucional e, consequentemente, uma redução da demanda agregada com magnitude ou duração ainda maiores do que as estimadas.

Por outro lado, políticas fiscais de resposta à pandemia que piorem a trajetória fiscal do país de forma prolongada, ou frustrações em relação à continuidade das reformas, podem elevar os prêmios de risco.

Adicionalmente, os diversos programas de estímulo creditício e de recomposição de renda, implementados no combate à pandemia, podem fazer com que a redução da demanda agregada seja menor do que a estimada, adicionando uma assimetria ao balanço de riscos. Esse conjunto de fatores implica, potencialmente, uma trajetória para a inflação acima do projetado no horizonte relevante para a política monetária.

O Copom avalia que perseverar no processo de reformas e ajustes necessários na economia brasileira é essencial para permitir a recuperação sustentável da economia. O Comitê ressalta, ainda, que questionamentos sobre a continuidade das reformas e alterações de caráter permanente no processo de ajuste das contas públicas podem elevar a taxa de juros estrutural da economia.

Cenário básico

Considerando o cenário básico, o balanço de riscos e o amplo conjunto de informações disponíveis, o Copom decidiu, por unanimidade, reduzir a taxa básica de juros em 0,75 ponto percentual, para 2,25% a.a. O Comitê entende que essa decisão reflete seu cenário básico e um balanço de riscos de variância maior do que a usual para a inflação prospectiva e é compatível com a convergência da inflação para a meta no horizonte relevante, que inclui o ano-calendário de 2021.

O Copom entende que, neste momento, a conjuntura econômica continua a prescrever estímulo monetário extraordinariamente elevado, mas reconhece que o espaço remanescente para utilização da política monetária é incerto e deve ser pequeno. O Comitê avalia que a trajetória fiscal ao longo do próximo ano, assim como a percepção sobre sua sustentabilidade, são decisivas para determinar o prolongamento do estímulo.

Neste momento, o Comitê considera que a magnitude do estímulo monetário já implementado parece compatível com os impactos econômicos da pandemia da Covid-19. Para as próximas reuniões, o Comitê vê como apropriado avaliar os impactos da pandemia e do conjunto de medidas de incentivo ao crédito e recomposição de renda, e antevê que um eventual ajuste futuro no atual grau de estímulo monetário será residual.

No entanto, o Copom segue atento a revisões do cenário econômico e de expectativas de inflação para o horizonte relevante de política monetária. O Comitê reconhece que, em vista do cenário básico e do seu balanço de riscos, novas informações sobre a evolução da pandemia, assim como uma diminuição das incertezas no âmbito fiscal, serão essenciais para definir seus próximos passos.

Votaram por essa decisão os seguintes membros do Comitê: Roberto Oliveira Campos Neto (presidente), Bruno Serra Fernandes, Carolina de Assis Barros, Fernanda Feitosa Nechio, João Manoel Pinho de Mello, Maurício Costa de Moura, Otávio Ribeiro Damaso e Paulo Sérgio Neves de Souza.

Com o novo corte da Selic para 2,25% a.a., os investidores irão buscar novas formas de rentabilidade em outros produtos, como: ações, fundos imobiliários e fundos multimercados, por exemplo.

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