Um CDS funciona como se fosse um seguro contratado por uma empresa para proteger seu portfólio de crédito em caso de inadimplência.

O que é o CDS?

O esquema abaixo ajuda a entender a relação. São necessários pelo menos três tipos de instituições para que o CDS exista. Porém, o contrato de CDS em si envolve apenas a compradora e a vendedora do CDS.

CDS
Fonte: elaboração própria

É um tipo de swap (operação em que há troca de posições quanto ao risco e à rentabilidade, entre investidores) que se tornou popular nos anos 2000 e, além de empresas permite a proteção contra risco de crédito dos países.

A diferença com relação ao seguro com que estamos acostumados é que a proteção proporcionada pelo CDS não é de um ativo de propriedade do segurado.

Assim, o comprador do CDS, segurado e também credor de uma entidade de referência, tem o direito de vender o título no valor principal ao vendedor do CDS (“seguradora”), caso o tomador do crédito (entidade de referência) não consiga honrar seus compromissos contratuais.

Termos específicos:

Evento de crédito é o equivalente a constatação da inadimplência, que pode ser desde um atraso no pagamento até a insolvência da empresa tomadora do crédito junto à credora. Vencimento antecipado de dívida por descumprimento de covenants, rebaixamento da nota de crédito (rating), assim como renegociação de dívidas fazem parte da caracterização do evento de crédito.

Entidade de referência corresponde a empresa que é objeto da proteção, ou seja, não é nem a compradora nem a vendedora do CDS, mas a tomadora do crédito.

Um exemplo para facilitar o entendimento.

Vamos imaginar uma proteção por 5 anos de um portfólio de crédito de US$ 10 milhões como valor principal. O comprador do CDS, portanto, concorda em pagar 90 pontos-base ao ano (também conhecido como spread de CDS) pela proteção.

E, fica acordado que os pagamentos deste “seguro” são realizados no fim de cada trimestre. Enquanto não houver o evento de crédito – e é provável que não haja -, o comprador paga 22,5 pontos base por trimestre (90/4) ao vendedor.

Ou seja, a cada trimestre o prêmio (ou custo) pela proteção é igual a 0,225% sobre o valor do principal ou, o correspondente a US$ 22,5 mil.

No caso do evento de crédito ocorrer, os pagamentos trimestrais são suspensos e a empresa compradora do CDS aciona a vendedora para receber o valor do principal, conforme contrato.

CDS como indicador do Risco-país

Dado que o CDS permite com que instituições financeiras se protejam contra o risco de crédito de títulos emitidos por países, o CDS torna-se um importante indicador do risco-país. Como no exemplo, o CDS é medido por pontos-base (basis points – bps) tal como o Ibov (indicador da bolsa brasileira), e é negociado diariamente.

Assim, quanto maior a probabilidade de um país tornar-se insolvente ou declarar moratória, maior será o CDS.

A seguir, o histórico do CDS Brazil (5 anos) nos últimos 5 anos.

CDS risco-país
Fonte: Investnews

Atualmente, o Brazil CDS está na ordem de 220, mas em 52 semanas teve uma variação bastante grande de 92, o qual foi o mínimo histórico em fevereiro/2020, a 376 em menos de um mês em função da crise pandêmica relacionada ao Covid-19.

Existem diversos tipos de Brazil CDS, os quais variam de acordo com os prazos dos títulos. Porém, o prazo mais utilizado é o de 5 anos tanto para empresas quanto para países.

Fonte: Investing

Vantagens do CDS

  • Permite a proteção do portfólio contra o risco de crédito;
  • Para instituições bancárias em que, pela natureza das suas atividades possuem ativos essencialmente atrelados ao risco de crédito, é uma forma de minimizar este risco por meio de uma gestão ativa do portfólio;
  • Também é uma forma de receita para instituições que vendem este tipo de proteção;
  • Não dependem de taxas de câmbio, índices de ações, preços de commodities e etc. Porém, dependem da probabilidade de inadimplência de uma empresa tomadora de crédito;
  • Funcionam de maneira relativamente simples e direta quando comparados com outros tipos de derivativos;
  • Liquidez diária e, portanto, marcação a mercado; e
  • Representa um importante termômetro do risco-país considerando a sensibilidade e atualização diária.

Desvantagens do CDS

  • “No free lunch”, ou seja, tipo de proteção que implica um custo;
  • Embora haja métodos baseados na probabilidade de eventos, a quantificação do CDS é complexa, pois não se consegue prever com exatidão a condição financeira futura das empresas e países tomadores de crédito. Isso também pode gerar condições para informações assimétricas no mercado financeiro;
  • Risco da empresa seguradora não cumprir com a cobertura, em caso de uma crise financeira aguda e/ou sistêmica; e
  • Embora tenha característica de seguro, a parte vendedora (equivalente a seguradora) não é necessariamente regulada para esta atividade.

Pontos de atenção:

Credit Default Swap não é rating. Apesar de ser um excelente termômetro para o risco-país, as instituições especializadas são quem classificam os países e empresas conforme os índices de rating. São elas Moody’s, Standard and Poor’s e Fitch.

CDS também não deve ser confundido com o EMBI+Br (Emerging Markets Bond Index Plus), que assim como o rating, é calculado por instituição específica, neste caso, o J. P. Morgan Chase.

Conclusão

CDS é um importante indicador do risco-país, mas não é o único. Apresenta uma resposta rápida a qualquer alteração de cenário econômico.

Por isso, pode ser utilizado como termômetro para exposição ao risco, bem como para inferir a percepção dos mercados mundiais com a nossa economia doméstica e de outros países.

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