Na última sexta-feira o presidente da república, Jair Bolsonaro, pegou o mercado de surpresa ao demitir o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, e, logo em seguida, anunciar o general Joaquim Silva e Luna para comandar a empresa.

A queda da Petrobras

Apenas nos últimos dois pregões, a Petrobras perdeu cerca de 102 bilhões de reais em valor de mercado. Antes da demissão de Roberto Castello Branco, Bolsonaro criticou algumas vezes a política de reajustes de combustíveis. Com a demissão, a percepção de risco para as ações subiu significativamente, assustando muitos players de mercado.

Os investidores estão atordoados tanto com as oscilações bruscas no papel, quanto às informações que chegam, principalmente de Brasília. Bolsonaro afirma por um lado que não haverá ingerência na Petrobras, além de não interferir na gestão. Porém, por outro lado, defende publicamente a queda nos preços dos combustíveis.

Petróleo Brent

Petróleo Brent
Petróleo Brent

Conforme pode-se notar no gráfico acima, o barril de petróleo tipo Brent acumula valorização expressiva no curto prazo. No final de abril do ano passado, a commodity chegou a ser negociada aos 19,33 dólares por barril. Posteriormente passou a subir de forma acelerada nos meses seguintes, mas voltando-se a estabilizar em torno de 45 dólares no segundo semestre do ano passado.

Entretanto, a partir de novembro/2020, a demanda compradora pela commodity voltou aparecer com força, levando o preço do barril para novas máximas no curto prazo. Atualmente, o Brent é negociado aos 64,36 dólares.

Surgiram algumas ameaças de greve dos caminhoneiros em algumas ocasiões durante os períodos de rally no preço do barril de petróleo, mas não chegou haver paralisação. Como a Petrobras pratica uma política de preço pareada no dólar (que não aliviou) e no preço do barril de petróleo (que disparou), os reajustes nos preços foram feitos de forma constante nas últimas semanas, enfurecendo a população.

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A Intervenção

Portanto, a mudança de comando na Petrobras pode ser considerada uma forma de o governo ceder à pressão popular, bem como eliminar um risco de greve dos caminhoneiros. Apesar de nenhuma medida ainda anunciada na nova gestão, existe a expectativa de que os preços dos combustíveis irão cair.

Por conta dos traumas do passado ocorridos em intervenções na Petrobras, o mercado teme que a troca de comando poderá resultar novamente na mesma estratégia praticada nos governos anteriores, principalmente no desastre ainda na memória observado na gestão da ex-presidente Dilma Rousseff.

Além disso, a mudança na presidência da Petrobras alimenta rumores de que o governo possa estar praticando um distanciamento do liberalismo, aproximando-se ao populismo, já pensando nas eleições presidenciais que ocorrerão no ano que vem.

Opções da Petrobras

O pregão de ontem (22/02) também ficou marcado pelo vencimento de opções. As opções de venda (puts) da Petrobras chegam a disparar 1.500% em sessão de queda de 20% das ações #PETR4 #PETR3

Enquanto as ações da Petrobras (PETR3; PETR4) registram uma verdadeira derrocada de cerca de 20% na sessão desta segunda-feira (22) em meio à indicação do general Joaquim Silva e Luna no lugar de Roberto Castello Branco pra comandar a estatal, as opções de venda de papéis (puts) da companhia com vencimento em março chegam a disparar quase 1.500% apenas nesta sessão.

A opção PETRO208, que dá direito de vender ações preferenciais da Petrobras a R$ 22,00, subia 1.490% às 16h36 (horário de Brasília), cotada a R$ 1,59. Na máxima do dia, a opção foi a R$ 1,91, alta de 1.810% em relação ao fechamento de sexta-feira, a R$ 0,10. Já a opção PETRO209, com preço de exercício a R$ 21,00, disparava 1.287,50%, sendo cotada a R$ 1,11.

Na sequência, as opções PETRO229, PETRO245 e PETRO249, com preços de exercício em R$ 23,00, R$ 24,50 e R$ 25, respectivamente, tinham variações de 975% (R$ 2,15), 778,38% (R$ 3,25) e 620% (R$ 3,60), na sequência.

Alta do Dólar e CDS

Em função da interferência na estatal brasileira, o risco-país (CDS – credit default swap) disparou 14,02% e o dólar chegou a subir mais de 2% no dia. Com a desvalorização do real perante a moeda americana, o Banco Central teve de intervir e leiloou US$1 bilhão por meio de swap cambial, um tipo de contrato com efeito equivalente à venda de dólares no mercado futuro.

Brasileiros mais pobres

A Petrobras perdeu mais de R$ 100 bilhões em valor de mercado desde a sexta-feira. Só o governo e o BNDES perderam mais de R$35 bilhões. Como os ativos do governo e do BNDES são, em última instância, de todos os brasileiros, cada brasileiro ficou cerca de R$170,00 mais pobre desde sexta-feira só pela perda de valor de mercado da parte da Petrobras que é do governo.

Somando-se as perdas de investidores privados na Petrobras e a perda de valor de mercado das outras empresas brasileiras, a destruição de riqueza dos brasileiros foi mais de 8 vezes maior do que isso, chegando a quase R$1.500,00 por brasileiro, em média.

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Fontes: JB3 Investimentos, Wisir Research e Ricardo Amorim

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